Clínica trata em média um jogador compulsivo por mês
PUBLICAÇÃO
sábado, 26 de julho de 1997
Curitiba 
Albari RosaMaçaneiro, psicoterapeuta: A bebida desvia totalmente a condutaMais de 150 pessoas que associaram o consumo de álcool e drogas ao jogo compulsivo passaram pela Clínica de Recuperação Nova Esperança nos últimos oito anos. Em 1997, a média tem sido de um caso por mês, informa o psicoterapeuta Celso Maçaneiro, coordenador do espaço destinado a dependentes químicos. Segundo ele, o número parece insignificante, mas é alto se for levado em conta que pouca gente procura ajuda.
Um dos casos que mais chamou a atenção do especialista foi o de um paciente de Paranaguá que havia perdido quase tudo em mais de 20 anos de álcool e jogatina. Ele bebia muito e jogava baralho dia e noite antes de vir para cá, relata Maçaneiro. Foi sua ex-mulher que o trouxe para clínica a fim de reabilitá-lo, conta.
Frequentadora assídua do Village Batel Bingo, a dona de casa A.A.A também sabe de histórias tristes regadas a álcool e jogo. Já vi gente que perdeu carros, fazendas e até o respeito dentro de casa, revela. No caso do paciente de Paranaguá, ele precisou ficar 35 dias internado na clínica e fez terapia durante um ano até ficar totalmente recuperado.
Nós ficamos satisfeitos de vê-lo hoje como um advogado muito respeitado, longe dos problemas de bebida e apostas, anuncia o psicoterapeuta. Maçaneiro diz que a ex-mulher de seu paciente teve um papel decisivo na reabilitação por um motivo simples: O álcool afeta a auto-crítica e impede que o próprio doente procure tratamento.
Conduta - Para Maçaneiro, o alcoolista crônico não sabe o que é limite. A bebida desvia totalmente sua conduta. Daí para o jogo, há uma distância pequena, afirma o especialista. Uma vez fragilizado pelo álcool, ele vai experimentar todas as possibilidades de sua condição de adulto: carta, turfe, loteria, bingo etc., conclui. O psicoterapeuta adianta o resultado: uma pessoa abalada no corpo e no bolso. (D.J.)


