Clínica psiquiátrica é interditada
Da Sucursal
FlagrantePacientes ficam juntos no pátio da clínica sem a assistência de médicos ou enfermeiros: relatório do CRM condenou o abandonoO Ministério Público interditou segunda-feira a Clínica Médica H.J. Ltda., de União da Vitória, onde estavam internados cerca de 60 pacientes com problemas psiquiátricos. A interdição foi determinada pela Procuradoria Geral de Justiça, com base num relatório do Conselho Regional de Medicina (CRM) que revela graves problemas na clínica. Entre outras falhas, ela não possuía pessoal especializado, tinha instalações em más condições de higiene e produtos perigosos ao alcance dos pacientes.
A Clínica H.J. atendia a pacientes de mais de dez municípios da região Sul paranaense e do Norte de Santa Catarina. Sem convênio com o SUS, ela era mantida através de convênios com as prefeituras. Depois da interdição, a maioria dos pacientes recebeu alta e 13 aguardam transferência para Curitiba.
A denúncia ao CRM foi encaminhada pelo deputado Florisvaldo Fier, o Dr. Rosinha (PT), que em janeiro esteve na clínica com uma equipe da Vigilância Sanitária local. O fiscal enviado do CRM, Carlos Ehlke Braga Filho, apontou dezenas de irregularidades na clínica, que só atendia a pacientes de baixa renda.
Banheiros e enfermarias apresentavam mau cheiro e moscas e eram compartilhados por homens e mulheres. Os internos dormiam em beliches, o que é considerado temerário para pacientes psiquátricos. No pátio, o fiscal encontrou um paciente com queimaduras de primeiro grau pela exposição ao sol. Também havia alimentos deteriorados e produtos de limpeza acondicionados em garrafas, representando risco de ingestão pelos pacientes.
No aspecto de atendimento médico e psiquiátrico, o relatório mostra uma situação mais grave. Os prontuários estavam incompletos e os pacientes não eram submetidos a exames. A clínica não possuía enfermeiro, psicólogo nem terapeuta ocupacional.
O único profissional habilitado era o dono, Hans Jacob, que é médico psiquiatra, mas não assinava a maioria dos prontuários. O hospital exerce o papel de simples depositário de doentes em fase aguda, funcionando como um órgão para retirar de circulação aqueles que incomodam os padrões sociais ditos normais, afirma o relatório.
O dono da clínica admite que ela tinha problemas, mas diz que era um mal necessário. Antes, os pacientes em crise ficavam dias na delegacia, afirma. Jacob disse que nunca teve lucro com a clínica . Retirava dinheiro apenas para a gasolina e para um consórcio de carro, afirmou.
Segundo ele, a clínica funcionou nessas condições durante dez anos e todas as autoridades sabiam. Para o deputado, houve omissão tanto das autoridades de saúde quanto do Ministério Público.





