Clínica previne distúrbios da fala
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quarta-feira, 16 de abril de 1997
Célia Baroni 
Mário CésarEm boas mãosO paciente Felipe, de dois anos, recebe atendimento médico: dificuldades para aprender a falarOs principais distúrbios fonoaudiológicos, como atrasos de linguagem e distúrbios na articulação das palavras, surgem na primeira infância - até os cinco anos - e poderiam ser evitados ou ter seus efeitos amenizados. Esta conclusão levou a Clínica de Distúrbios da Comunicação da Unopar (Faculdades Integradas Norte do Paraná) a implantar o projeto Fono para Bebês. Desde março, uma equipe multidisciplinar está atendendo crianças de zero a quatro anos e prestando orientação aos pais com dúvidas.
Idealizado pelas professoras Bernadete Mazzafera e Claudia Sordi, o projeto é inédito no Paraná. E está aberto para inscrição a todos os pais que tiverem dúvidas sobre o desenvolvimento de seus filhos ou simplesmente queiram obter mais informações sobre o assunto. Nos sete anos de trabalho da clínica ficou evidente que as crianças chegavam para o atendimento tardiamente, situação que dificulta e prolonga o tratamento. A realidade reforçou a necessidade de se criar um programa preventivo, afirma a professora Bernadete Mazzafera.
Atendendo a criança nos primeiros anos de vida, o projeto pretende disponibilizar o tratamento precoce dos sintomas que levariam aos distúrbios, oferecendo aos pais a possibilidade de participar do trabalho preventivo. O atendimento é individualizado para crianças e pais, mas o projeto prevê também a formação de grupos de pais interessados em palestras sobre as fases do desenvolvimento fonoaudiológico da criança, influência da amamentação, alimentação correta e exercícios de estimulação da linguagem dos filhos, entre outros.
Pais bem informados e atentos podem evitar que problemas simples se instalem, tornando-se distúbios fonoaudiológicos graves. Por isso é importante que eles conheçam o processo de desenvolvimento de seus filhos e saibam o que podem fazer e o que devem evitar, reforça Bernadete. O projeto envolve o trabalho de uma equipe multidisciplinar formada por pediatra, neurologista, psicólogo, otorrinolaringologista, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional e ortodontista.
A equipe dá respaldo para o atendimento fonoaudiológico apontando, após uma análise individual da criança, quais os fatores causadores dos distúrbios. A porta de entrada é a clínica de distúrbios da comunicação mas, sempre que necessário, a criança recebe atendimento em todas estas áreas, diz a professora.
No primeiro contato, os pais podem esclarecer dúvidas sobre o desenvolvimento do filho. Nesse momento, o médico define se a criança precisa ou não ser encaminhada para outros profissionais. Felipe Mota da Silva, de dois anos, fez sua primeira avaliação na quarta-feira. A mãe dele, a dona-de-casa Isabel Cristina Trinkel, explica que procurou a clínica por orientação do pediatra do filho. Felipe estava apresentando dificuldade para aprender a falar.
A mesma preocupação levou a dona-de-casa Zenilda Silva da Rosa a levar a filha Dayane Cristina Silva, de três anos, para avaliação na clínica da Unopar. Ela não fala quase nada e ainda prefere apontar os objetos como apoio para explicar o que deseja.
Todo atendimento realizado na clínica é prestado por estagiárias do quarto ano de fonoaudiologia da Unopar, supervisionadas pelos professores da equipe multidisciplinar.
Para entrar no programa, os pais precisam inscrever o filho na Clínica de Fonoaudiologia da Unopar e passar por uma primeira avaliação feita por um pediatra. Pelo atendimento, os pais pagam uma taxa única e simbólica de R$ 1,50 - que pode ser isenta caso comprovem não dispor de recursos. A Clínica de Fonoaudiologia da Unopar fica na avenida Paris, 675 - Jardim Piza (zona sul). Maiores informações podem ser obtidas pelo fone (043) 326.7700.


