Clínica pede apoio para manter atendimento
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segunda-feira, 20 de julho de 2015
Rafael Souza<br>Reportagem Local
Inaugurado em 21 de agosto de 1993, o Centro de Saúde Especial Bárbara Daher, o Getexcel, é uma clínica odontológica que atende gratuitamente pacientes com qualquer tipo de deficiência. Para realizar o trabalho, a entidade não governamental conta com profissionais especializados, prontos para atender os mais variados tipos de tratamentos bucais. Serviço de extrema importância para o município e para a região, uma vez que a clínica é responsável pelo atendimento a mais de 130 cidades.
Desde a sua fundação, no entanto, a entidade filantrópica sobrevive a duras penas, com verbas cada vez mais menores do poder público e tendo que promover eventos beneficentes, como bazares de roupas e venda de rifas, para se manter. Muito pouco para sustentar o trabalho, que atravessa um momento caótico.
No final do ano passado, a clínica cogitou fechar suas portas depois de dois anos sem receber repasses da Prefeitura de Londrina - o convênio não foi renovado a partir de 2013. O prédio onde está instalada a clínica, que é do município, é um bom exemplo da situação atual. A equipe de dentistas, todos voluntários, praticamente implora há três anos por reformas no local. Com as fortes chuvas que caíram em Londrina este mês, o problema só vem se agravando.
Pelo menos seis salas estão comprometidas por rachaduras enormes nas paredes. O nível de comprometimento da estrutura é tão grande que pedaços das paredes estão caindo e as portas, emperradas. Numa sala no fundo prédio, uma das paredes cedeu, comprometendo o piso e comprimindo a tubulação, o que gerou vazamento. Por conta das infiltrações, o centro cirúrgico já está fechado desde 2012. Quem trabalha por lá revela que o medo de desabamento é constante. "É difícil, já tiramos tudo, estamos com muito medo disso aqui cair, mas temos bens e não podemos sair", diz a dentista Nadia Regina Mello, uma das fundadoras da clínica.
Como o prédio é antigo, também não há acessibilidade. "Há três anos, ganhamos o projeto arquitetônico todo adaptado de um amigo arquiteto, foi protocolado na Secretaria de Obras, mas ficou parado. Não houve nenhuma reforma", revela a dentista Martha Beatriz Issa. Por conta dos problemas, os atendimentos estão suspensos e a única atividade no local é um bazar de roupas usadas.
Depois de inúmeros apelos em vão, agora a Prefeitura de Londrina decidiu tomar providências. A Secretaria de Saúde informou que o local será reformado. Enquanto isso, o atendimento será realizado na parte da tarde na Unidade de Saúde Básica do Jardim Campos Verdes (zona norte), a partir da última semana deste mês.
Apesar da reforma estrutural, a perspectiva de futuro não é das melhores. A tendência é que o problema da falta de dinheiro continue. Atualmente, o Getexcel conta apenas com uma verba proveniente do Sistema Único de Saúde (SUS), por número de atendimentos realizados, varia entre R$ 3 mil e 5 mil por mês. Como o serviço está restrito por conta das avarias no prédio, fica difícil imaginar um aumento. "A gente queria ter mais profissionais trabalhando, o que automaticamente aumentaria a produção e o repasse, mas como desse jeito?", reclama.
O convênio com a Prefeitura de Londrina será reativado e a entidade vai receber R$ 4,3 mil por mês. Três anos depois de ser cortado o repasse será menor, já que até 2012 o Getexcel recebia pouco mais de R$ 6 mil. A justificativa da Secretaria de Saúde é que o contrato também é por produtividade e esta caiu porque o Centro de Especialidades Odontológicas (CEO), que é municipal, realiza o mesmo tipo de atendimento. "Para aumentar, eles teriam que demonstrar isso para que a gente possa requerer um valor maior", explica a diretora-geral da Secretaria de Saúde, Suzana Verlingue Rodrigues. Cerca de 80% dos quase 4 mil pacientes são de Londrina. Prefeituras de outros municípios atendidos contribuíam com um salário mínimo, mas muitas delas cortaram a ajuda nos últimos meses.
A falta de verba atinge diretamente os cinco funcionários do Getexcel, que não recebem salários integrais desde maio. Para piorar, o convênio que está sendo assinado com a Prefeitura não permite que o dinheiro seja utilizado para este fim, só para custear materiais. "Estamos pensando até em lançar uma campanha para empresários adotarem um funcionário. Seria uma saída", conta Nadia. As despesas mensais da clínica giram em torno de R$ 15 mil e a defasagem é de pouco mais da metade deste montante.
Martha Beatriz Issa diz que o serviço é único no Brasil. "Não existe outro que fornece todas as especialidades odontológicas sem estar ligado a alguma faculdade", aponta.
SERVIÇO
Getexcel fica na Avenida Leste-Oeste, 3.430. O telefone de contato é (43) 3348-0728