Uma clínica de recuperação de viciados em drogas chamada ‘‘Conexão Paz’’, que seria ligada a uma igreja evangélica, foi fechada ontem pela polícia do Paraná. O coordenador da entidade, Alex Sandro de Souza Marques, é acusado de bater nos 22 internos de várias cidades do Estado e obrigá-los a vender jornais da entidade para arrecadar dinheiro. A clínica funcionava no bairro Centenário, em Curitiba, e não tem nenhum tipo de autorização de funcionamento. A ‘‘Conexão Paz’’ tem sede em São Paulo e filiais no Rio de Janeiro e Santa Catarina, além do Paraná.
Segundo o delegado Stelio Machado, da Delegacia de Anti-Tóxicos, as agressões foram descobertas depois que o interno Fagner Dener Guedes, 18 anos, fugiu da clínica e procurou a polícia. Guedes estava internado há dois meses, depois de ter sido preso por consumo de drogas em sua cidade no Norte do Estado. O exame de corpo de delito, feito pelo Instituto Médico Legal de Curitiba, constatou que Guedes tinha sido vítima de agressões graves. Ele tinha, inclusive, o braço direito quebrado. No depoimento, Guedes disse que havia sido espancado por Marques.
Intitulando-se pastor de uma igreja evangélica, Marques disse que agredia os internos para corrigi-los. As agressões tinham base, segundo o suposto pastor, nos ensinamentos de Deus. Depois de depor, Marques foi liberado. Conforme Machado, ele vai responder inquérito por constrangimento ilegal, lesões corporais graves e cárcere privado. O delegado afirmou ter localizado uma conta bancária que seria usada para receber dinheiro das famílias dos internos.
Machado disse que o coordenador da clínica obrigava os internos a vender um jornal impresso pela instituição a R$ 1,00 cada. Se não conseguissem vender, disse o delegado, os internos eram ‘‘castigados’’. Se consumissem um único real também apanhavam. O delegado deve encaminhar cartas precatórias aos Estados nos quais funciona a entidade pedindo que os responsáveis prestem depoimentos. Até ontem, nenhum outro integrante da clínica havia sido detido.

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