Clínica Odontológica contabiliza prejuízos
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quarta-feira, 06 de novembro de 2013
Érika Gonçalves<br> Reportagem Local 
Londrina - Um dia após a queda de parte do forro da sala de espera da Clínica Odontológica Universitária (COU) devido ao excesso de chuva, a direção ainda contabiliza os prejuízos. Além dos dois computadores da recepção, seis conjuntos odontológicos, compostos pela cadeira e demais equipamentos, também foram molhados.
Manchas no teto mostram que o problema não é recente. O atual prédio da Clínica, localizado na Rua Pernambuco (centro), foi construído em 1950 e readequado para as atividades do curso de Odontologia da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
Na manhã de ontem a dona de casa Rosângela Cândida Lucas Bardalotti aguardava o filho ser atendido. Ela contou já ter presenciado as goteiras na clínica. "Uma vez choveu e molhou tudo aqui dentro, só não caiu o forro. A gente fica com receio, é um absurdo estarmos nessa situação enquanto tem uma construção parada", reclamou.
A estudante Paula Colares Perez aguardava por seu primeiro atendimento e contou que já levou seu filho para tratamento na COU. "O atendimento é muito bom, não pode fechar. É uma judiação estar desse jeito, o governo deveria dar mais atenção", lamentou.
José Roberto Pinto, diretor da clínica, explicou que ainda será preciso esperar 48 horas para ligar os aparelhos devido ao risco de choques e curto-circuito. "Só então saberemos o que realmente se perdeu. Da recepção, apenas um teclado precisará ser substituído. Ninguém se machucou, foi apenas o susto, mas eram pacientes idosos", lamentou.
Devido aos equipamentos parados, cerca de 200 atendimentos terão que ser remarcados, mas o pronto-socorro e outras salas estavam funcionando normalmente ontem. "Algumas pessoas faltaram, talvez por não saberem que estamos atendendo ou até por medo, o que é lamentável. Mas ainda temos condições de atendimento. Quando não houver mais segurança, iremos paralisar as atividades", alertou.
Em agosto deste ano, alunos, professores e funcionários fizeram um protesto solicitando mais atenção do governo estadual, já que o orçamento de 2014 seria definido no final do mês. O receio era de que não houvesse destinação de verba para a construção da nova clínica no campus da UEL, cujas obras foram paralisadas no início deste ano.
"O orçamento já foi fechado e não há previsão de recursos para a construção. Agora estamos tentando junto ao Ministério da Saúde (MS) a liberação de R$ 20 milhões. Todos os projetos da nova clínica estão aprovados", explicou José Roberto.
A reitora em exercício, Berenice Quinzani Jordão, destacou que o prédio atual é antigo e foi adaptado para receber a clínica odontológica. "Temos um grande nível de atividade, são muitos alunos. O prédio não comporta melhorias, mas a manutenção sempre é feita", garantiu. Entre as adequações, estão obras de acessibilidade e para prevenção de incêndio, solicitadas pelo Corpo de Bombeiros e que custarão R$ 350 mil, oriundos de recursos da universidade.
O valor solicitado junto ao MS é justamente o que falta para terminar a obra do campus. No dia 4 de dezembro devem ser abertos os envelopes da licitação para a cobertura da nova clínica, no valor de R$ 1 milhão. "Se o aporte fosse maior já poderíamos colocar a fiação elétrica e outras coisas necessárias enquanto se faz o telhado. Pode ser que depois tenhamos que adequar algumas coisas, por isso estamos chamando de provisória", disse a reitora, acrescentando que os recursos para a cobertura são da própria UEL e da Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti).
A pressa para cobrir a estrutura visa diminuir a deterioração, pois já foram erguidas as paredes e feito o reboco externo. A nova clínica terá 11,2 mil metros quadrados e está sem prazo para conclusão.
Anualmente, a COU e Bebê Clínica realizam cerca de 120 mil atendimentos, sendo mais de 270 mil procedimentos, contemplando pacientes de 57 cidades. Muitos destes pacientes são atendidos no Pronto-Socorro 24 horas, que é o único no País vinculado a uma clínica odontológica universitária a funcionar ininterruptamente.
O promotor de Defesa da Saúde Pública, Paulo Tavares, diz que solicitou à reitoria da UEL, à Secretaria de Estado de Saúde e à Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia providências para concluir a obra no campus. "Eles destacaram que a verba seria encaminhada à universidade, mas informaram que a obra não poderia ser terminada este ano", destacou.
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