Curitiba
O administrador da clínica Porto Seguro, Waldir D’Angelis, disse ontem à Folha que a clínica não reconhece a condenação dos médicos Saint-Clair Bahls, Lilian Beatriz Andermann e Priscila Rosaly Peagle. Os três foram condenados no dia 1º deste mês pelo juiz da 5º Vara Criminal, pela morte do rapaz Ugo Paolo Tempesta, que fazia tratamento na clínica, num quadro de esquizofrenia.
‘‘Reconhecemos sim o brilhantismo do médico Bahls, que tem renome nacional’’, defendeu o administrador, afirmando ainda que pelo tempo do fato acontecido (abril de 1991), o caso já teria prescrito.
Para a condenação, o juiz Gilberto Rezende, da 5ª Vara Criminal, baseou-se em depoimentos de testemunhas da clínica e em laudos do perito do Instituto Médico Legal, Ernani Simas Alves, que atestou ter sido a morte causada pelas drogas psicotrópicas administradas pelos médicos.
O administrador da clínica afirma que, no julgamento, não foi considerado o laudo do perito Fortunato Badan Palhares, da Unicamp, que concluiu dizendo que a causa mortis não foi identificada. O laudo do perito não responsabilizava a equipe pela morte do rapaz.
O médico Saint-Clair Bahls foi condenado a um ano e oito meses de detenção e as médicas Lilian e Priscila, a um ano. Todos em regime aberto. Os médicos vão recorrer e podem pedir a revisão da condenação. Neste caso, cabe ao Tribunal de Justiça julgar definitivamente.
A reportagem da Folha tentou durante dois dias falar com o advogado dos médicos condenados, Luiz Carlos Rocha, sem obter retorno. Da mesma forma, várias tentativas foram feitas para contactar o médico Edval Perrini, que administrava a clínica Porto Seguro na época, mas ele também não pôde ser ouvido.

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