Maria Duarte
Equipe da Folha
  
Curitiba – Na manhã de ontem, o clima voltou a ficar tenso em Quedas do Iguaçu (165 quilômetros a leste de Cascavel), onde 1,5 mil famílias de sem-terra estão acampadas em área da empresa madeireira Araupel. Um acordo entre a ouvidora-adjunta da Ouvidoria Agrária Nacional, Maria de Oliveira, e os líderes do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST) previa para ontem o início da retirada de máquinas e equipamentos agrícolas da área invadida. No entanto, um bloqueio temporário da estrada, por parte do MST, atrasou o início da remoção.
  Maria de Oliveira disse à Folha que a situação estava sob controle e que a remoção seria feita nas próximas horas, conforme combinado. O capitão Celso Borges continuava na área, e já ouviu dos líderes do movimento que a intenção deles é continuar das terras da Araupel.
  Até o início da tarde, as famílias sem-terra continuavam aguardando o fornecimento de lonas e alimentos para iniciarem a remoção do acampamento para outra parte da propriedade, acertado entre a Ouvidoria Agrária e o MST. A intermediação para aquisição do material, junto ao Ministério do Desenvolvimento Agrário, está a cargo do Incra do Paraná. A remoção deve acontecer ao longo desta semana.
  Os líderes do MST exigem a desapropriação ou aquisição pelo governo federal de todas as áreas agriculturáveis da Fazenda Araupel, para assentar as famílias acampadas. O MST quer também o fonecimento de óleo diesel e sementes para que as famílias iniciem o cultivo de alimentos, além de pedirem infra-estrutura de saúde, educação e energia elétrica.

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