Basta olhar na linha do horizonte para constatar: a fumaça e a poeira tomaram conta do ar em Londrina. A falta de chuvas reduziu a umidade relativa do ar para 50% em média, o suficiente para desencadear uma série de reações adversas. As unidades básicas de saúde e o Pronto Atendimento Infantil (PAI) são termômetros para medir os efeitos do clima seco. ''Com baixa umidade, diminui a possibilidade de limpeza do organismo, por isso é mais comum acumular catarro nos pulmões'', diagnostica o diretor clínico do PAI, José Walter Dias.
Foi preciso reforçar a estrutura do Pronto Atendimento Infantil para dar conta da demanda. ''Colocamos mais um médico à noite e estamos fazendo horas-extras. Atendemos uma média de 20 crianças por hora, mas já chegamos a 30'', revelou. O médico disse que o pico foi atingido na noite de terça-feira, superlotando as dependências do PAI. Em geral, são casos de pneumonia, amigdalite e otite (dor de ouvido). Dias acrescenta que também estão crescendo os casos de enterovirose, doença causada pelo rotavírus, que atinge o trato digestivo, provoca vômitos e muita dor no corpo. ''Além de aumentar o número de casos, o que nos preocupa é que a gravidade também está maior'', alertou.
No PAI, a maioria dos atendimentos inclui inalação e hidratação oral ou endovenosa. Depois de medicada a criança pode seguir o tratamento em casa. É o caso de Natália, de 2 anos. A mãe, Vera Lucia de Jesus dos Santos, moradora do Jardim do Leste (Zona Leste), diz que o problema começou com tosse e chiado no peito. ''Ela fica muito incomodada; na hora de dormir tosse bastante. Tá difícil conviver com essa poeira'', reclamou.
Para evitar a superlotação e reduzir o tempo de espera, o diretor recomenda aos pais que procurem primeiro as Unidades Básicas de Saúde nos bairros. Mas muitas pessoas, como Ávila Ribeiro Porto Damásio, moradora do Conjunto Parigot de Souza (Zona Norte), preferem ignorar o conselho. ''Nem perco mais tempo. É muita demora. Prefiro vir direto ao PAI'', confessou. Ela é mãe de Gean Carlo, de 5 anos, outra vítima do ar seco e mais um usuário da inalação do PAI.
O Pronto Atendimento também é procurado por famílias de fora. A dona de casa Rosimeire Aparecida Menezes não se importou com os 120 quilômetros de distância entre Colorado e Londrina para consultar a filha Paulina, de 3 anos. A menina chegou ao PAI com febre, tosse e resfriado. ''Essa noite eu não consegui dormir. Ela chorou e tossiu a noite inteira'', afirmou.
É possível reduzir os efeitos do clima seco com cuidados básicos. De acordo com o médico, as dicas também servem para os adultos. ''As crianças devem beber bastante líquido durante o dia. Também é preciso lavar bem as mãos e manter a higiene pessoal'', receitou.
Outra orientação importante é umidificar o ambiente. Isso pode ser feito com bacias com água embaixo da cama ou toalhas molhadas dentro do quarto. Para quem já está com o quadro gripal, é recomendado inalação com soro fisiológico antes de dormir.

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