Clima quente 'esfria' plantio de árvores
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quinta-feira, 24 de outubro de 2002
Fábio Galão<BR>Reportagem Local 
O calor sufocante que vem atormentando Londrina, e que cede apenas temporariamente com pancadas de chuva, esfriou o ritmo da doação de mudas do viveiro da prefeitura. De acordo com o agrônomo Jefferson Costa Hernandez, gerente de produção agropecuária da Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento, apenas 85,5 mil mudas foram cedidas até setembro deste ano a 206 produtores, contra 225 mil recebidos por 190 produtores em 2001.
''O clima seco não ajuda, pois prejudica as condições de plantio. Até o final do ano, nossa estimativa é que as doações cheguem a 150 mil'', explica Hernandez. Segundo o agrônomo, apenas recentemente Londrina vem desenvolvendo a consciência de que arborizar a cidade é uma questão essencial. ''Desde 1999, quando o projeto de doação de mudas passou para as mãos da Secretaria de Agricultura (a administração antes cabia à então Autarquia do Meio Ambiente, atual Secretaria do Meio Ambiente Sema), doamos mais de 1 milhão de mudas. Trabalhamos conforme a demanda'', afirma Hernandez.
O viveiro, no conjunto Cafezal II (zona sul), possui uma área de 300 metros quadrados e mantém 40 espécies de árvores nativas, como jacarandás, canafístulas, anjicos brancos, ipês e araucárias. Cerca de vinte funcionários trabalham no local. Agricultores formam a grande maioria do público que procura mudas, e a Secretaria privilegia ações de reflorestamento conservacionista, que contempla áreas protegidas por lei, como matas ciliares, nascentes e morros com inclinações superiores a 45 graus, e de recuperação de áreas, como fundos de vale, em trabalhos conjuntos com a Sema.
''Sempre oferecemos ajuda técnica a quem procura as mudas, porque prezamos o que entregamos. Nunca damos, por exemplo, mais do que mil mudas de uma vez para o mesmo produtor, para que ele tenha condições de dar o cuidado adequado ao que recebe. Também analisamos terrenos e condições climáticas antes de sugerir alguma coisa'', diz Hernandez. O agrônomo conta que, para a área urbana, existem espécies ideais, como pata de vaca e aroeira salsa.
O viveiro também oferece árvores frutíferas silvestres e mudas de espécies exóticas, como eucaliptos e pinos estes são vendidos a sete centavos a muda, já que tem potencial econômico para móveis e construção civil. A secretaria acredita que o ritmo de doações deve ser acelerado em 2003. ''Há uma previsão de chuvas a partir de dezembro, o que facilita o plantio'', finaliza Hernandez.


