Depois de todos os problemas decorrentes do ''Apagão Aéreo'', que culminaram na queda do Airbus A320 da TAM, os passageiros parecem ter entrado em um estado de apatia generalizada. Não bastassem as falhas técnicas e operacionais, o mau tempo tem resultado no cancelamento de vários vôos, inclusive em Londrina. Segundo informações apuradas dentro do aeroporto da cidade, praticamente todos os vôos previstos para terça-feira foram cancelados. Ontem, houve mais cancelamentos e atrasos.
Diante dessa situação, os passageiros têm trocado a revolta pelo medo e resignação. ''No começo, as pessoas reclamavam mais, se exaltavam mais. Agora, principalmente depois do acidente, acho que elas entenderam que a gente não pode fazer nada'', comentou Rebeca Fernandes Barbosa, vendedora de uma gência de viagens com expediente dentro do aeroporto. Rebeca observa também que os passageiros têm tentado se prevenir. ''Muitos nem têm vindo ao aeroporto. Ligam antes para saber do vôo; eles mesmos já tomam a iniciativa de transferir para outra data, resolvem ir de carro ou cancelam a viagem e ficam com o crédito da passagem para usar em outra ocasião'', contou, acrescentando que, com isso, o movimento dentro do aerporto de Londrina diminuiu bastante desde segunda-feira.
Para Andressa Lima, vendedora da mesma agência, pior do que enfrentar a fúria dos passageiros é saber que não há muito o que fazer. ''Teve um angolano que precisava ir visitar a filha doente em Ruanda, e não conseguiu embarcar. A mãe de uma passageira morreu, e ela não podia mudar a passagem para dali a dois dias. A gente tem dó, mas o pior é se sentir completamente impotente diante de situações como essas'', lamentou.
Neusa Almeida, atendente em um quiosque de café, já passou por várias situações constrangedoras. ''A gente escuta cada coisa! Não são todos, mas alguns ficam muito nervosos e vêm descontar na gente, fazem comentários grosseiros. Eu sou uma pessoa calma, então nem ligo e continuo meu trabalho'', revelou. Ela conta que o clima ficou um pouco mais tenso no aeroporto. ''Algumas pessoas não querem papo, outras já querem desabafar. Ontem tinha uma senhora indo para Manaus, veio para cá depois de passar oito horas dentro de um ônibus, e estava viajando desde as 5 horas do dia anterior. Não tinha lugar para tomar banho, estava com olheira. Fiquei com muita pena. Não sei aonde ela foi, mas acho que deve estar em algum aeroporto por aí'', contou.
A reportagem tentou conversar com atendentes da TAM, da Gol e do balcão de informações do aeroporto, mas nenhum desses funcionários tinha autorização para falar com a imprensa. Nem sobre como tem sido trabalhar no aeroporto nas últimas semanas. Um funcionário da Trip limitou-se a comentar que, como a empresa não opera em Congonhas, o problema não tem repercutido muito em seu balcão.

mockup