Clima na Casa do Estudante é de temor
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quinta-feira, 28 de junho de 2007
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
Alunos da Universidade Estadual de Londrina (UEL) que moram na sede provisória da Casa do Estudante, no Centro, se dizem temerosos em relação à ocupação do prédio construído no campus da instituição para abrigá-los, por um grupo que teria sido excluído do novo processo de seleção de moradores. Alguns estudantes ouvidos ontem discordam da forma como a ação foi feita e estão preocupados com as consequências da ação. O número de estudantes que permanece encapuzado no prédio não foi divulgado.
''O temor é que todos aqui sejamos retalhados moralmente e de alguma forma prejudicados'', afirmou o aluno de Geografia Marcos Roberto Cotrim Brito, que mora há três anos na Casa. Ele lembrou que a decisão (de ocupar o prédio) não foi tomada em conjunto e o grupo que está morando irregularmente no imóvel desde a noite da última terça-feira está defendendo somente interesses próprios. Brito fez questão de ressaltar, porém, que os integrantes do grupo têm necessidade de morar na Casa do Estudante. ''Parece que está havendo sim perseguição política'', acrescentou.
Joair Brazil de Campos, estudante de História e morador da Casa há quatro anos, também foi excluído no recente processo de seleção, mas revelou que discorda da forma como a ocupação foi feita. ''A preocupação é ideológica. Eu sempre defendi o diálogo, desde que com prazos a serem cumpridos e ações concretas'', afirmou, revelando que não sabia que o grupo estava planejando a ocupação do prédio.
Para o estudante de Medicina e também morador da Casa do Estudante Luiz Borges Junior o que mais preocupa é a imagem pejorativa que a decisão de um grupo isolado pode gerar perante a sociedade. ''As pessoas ficam imaginando que isso aqui é uma bagunça, e não é nada disso'', diz o estudante, que discorda da invasão.
O diretor do Serviço de Bem-Estar à Comunidade (Sebec), Oswaldo Yokota, informou que na Casa provisória há 86 moradores regulares e 26 hóspedes (sem autorização). O novo processo de seleção que acaba de ser concluído autoriza que 118 alunos morem no local até que o prédio construído no campus passe pelas reformas necessárias.
Segundo Yokota, porém, houve 119 pedidos de moradia, dos quais 17 foram excluídos por não cumprir os critérios do regimento, como por exemplo reprovação por falta e não apresentação dos documentos necessários. Destes 17, 10 alunos entraram com recurso e cinco foram deferidos. ''Não existe perseguição. Sempre fizemos de tudo para oferecer um ambiente de moradia adequado a todos. O que nos parece é que há um grupo que não está contribuindo para a harmonia da casa.''


