Marcos BorgesPrecauçãoViaturas da PM ficaram de plantão em frente ao 2º Distrito Policial, devido às ameaças de nova rebelião após o horário de visitaOntem foi o primeiro dia de visitas no 2º Distrito Policial, na vila Santa Terezinha (zona leste), após a transferência de detentos que participaram da rebelião no último sábado, no 3º DP (zona oeste). Apesar das ameaças dos detentos de realizarem uma rebelião logo após o horário de visitas (das 14 às 17 horas), o clima foi de tranquilidade. No distrito estão 97 presos, sendo 74 homens e 23 mulheres. No local ainda funciona o Serviço de Triagem, Recepção e Encaminhamento de Menores (Setrem).
Policiais do 5º Batalhão da Polícia Militar, inclusive da Tropa de Choque, ficaram a tarde toda no distrito, a pedido do delegado Antonio Zuba de Oliva. Segundo ele, estiveram fazendo visitas aos presos cerca de 80 pessoas - normalmente 120 pessoas vão ao distrito todas as terças-feiras.
Algumas pessoas saíram antes das 17 horas, temendo que algo acontecesse no interior do distrito. É o caso de Elaine Lurdes da Silva, que foi visitar a mãe, detida por tráfico de drogas. Ela deixou o distrito às 16 horas a pedido da mãe, que disse que o clima estava perigoso. Segundo ela, os presos gritavam muito.
Chorando bastante, Devanir Gonçalves Silva disse temer pela vida de seu irmão Cláudio, preso por furto há três meses, se acontecesse alguma rebelião. Ela disse que ele está bastante machucado. ‘‘Bateram muito nele.’’
Nair Costa foi visitar o filho Leandro, transferido do 3º DP e que foi preso há um mês por furto. Segundo ela, o clima era de muita tensão dentro da delegacia. ‘‘Eu fiquei com medo. Está um calor insuportável lá dentro.’’ Ela conta que pensou em não fazer a visita, mas que mudou de idéia por causa do filho.
Marcos BorgesNa saídaNair Costa: ‘Está um calor insuportável; fique com medo’
Segundo Nair Costa, os detentos estavam comentando sobre a possibilidade de matar um por dia, para chamar a atenção para o problema da superlotação. Ela diz ter ouvido que já existe uma lista e que as mortes teriam início na sexta-feira. ‘‘Tem que dar um jeito de esvaziar; tem 14 em uma só cela.’’
Às 17 horas as visitas começaram a sair. Meia hora depois todas as pessoas já haviam deixado o distrito. O delegado Zuba disse que, aparentemente, a situação estava sob controle.

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