O tempo instável - frio e calor se alternando repetidamente em curtos prazos de tempo - está favorecendo o aparecimento de casos de meningite viral em Londrina. O Hospital Infantil, da Santa Casa, registrou, só em outubro, 30 casos de meningite: 27 do tipo viral e três do tipo bacteriana. ‘‘O número de casos é maior do que o esperado para este período, mas não há indícios de epidemia da doença’’, garantiu o pediatra e diretor clínico do Hospital Infantil, Álvaro Luiz de Oliveira. Ontem, no hospital havia cinco crianças com meningite internadas.
Na maioria das vezes, explicou o médico, a meningite é resultado de um agravamento de um quadro gripal. O vírus acaba atacando a meninge - membrana que envolve o cérebro - provocando inflamação ou infecção do tecido, ou os dois simultaneamente. Os sintomas são dores de cabeça, vômito, apatia geral (a criança fica abatida) e febre nem sempre alta. As meningites viróticas, informou, não são epidêmicas.
As meningites causadas por bactérias são mais agressivas. Algumas, acrescentou, como a meningocócica, podem resultar em epidemias. ‘‘Por isto, quando é registrado um caso de meningite meningocócica é providenciada também a vacinação para evitar a propagação da doença’’, explicou. Ele orientou ainda os pais a vacinarem os filhos com até 4 anos contra a meningite por hemófilos (bacteriana). ‘‘Este tipo de bactéria é violenta e apresenta um alto índice de mortalidade e sequelas graves’’, disse. Em Londrina e Curitiba a vacina pode ser aplicada nos postos de saúde.
Apesar de garantir que não há riscos de uma epidemia de meningite viral, o pediatra orienta as mães a ficarem atentas às crianças. Ele explicou que neste período a instabilidade da temperatura fragiliza o organismo expondo as pessoas, principalmente as crianças, a resfriados, dores de garganta e otites. ‘‘A porta de entrada dos vírus que provocam a meningite são a garganta e os ouvidos’’, alertou.
O pediatra explicou que a febre, mesmo baixa, significa que alguma coisa não está bem no organismo. ‘‘Os pais devem acompanhar o desenvolvimento dos sintomas, controlando a febre com banhos ou, se necessário com antitérmicos’’. Se a criança continuar abatida depois de baixada a febre, disse, ela deve ser examinada por um médico que irá dar a medicação depois de diagnosticar o problema.
Álvaro de Oliveira contou que no início da semana um pai entrou em seu consultório apavorado, achando que o filho estava com meningite. ‘‘A criança estava abatida e vomitava, mas o seu problema era gastrointestinal’’. Ele afirmou que o pai da criança estava certo em se preocupar. ‘‘A meningite é uma doença que assusta porque compromete um órgão vital. Mas o único jeito de se proteger é procurando o atendimento médico ’, comentou. A maioria dos casos de meningite virótica, informa, pode ser curada rapidamente se diagnosticada no início.

mockup