Os agentes e servidores penitenciários, em greve desde o último dia 31 de maio, decidem hoje se aceitam a proposta do Estado de reforço no atendimento dos presos nas unidades paranaenses em troca do compromisso de empenho para resolver dois assuntos da pauta de reivindicações. Segundo o secretário de Estado da Justiça e Cidadania, Pretextato Taborda Ribas, deverá ser analisada a garantia da gratificação dos servidores incorporada na aposentadoria e a criação do Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS). A única exigência do Estado para a continuidade das negociações foi a permanência de 50% do efetivo nas unidades penitenciárias. ‘‘Não temos como manter apenas um terço dos servidores’’, afirmou.
A tradicional visita de domingo aos presos no Ahú, quase teve que ser suspensa por causa da greve dos agentes penitenciários. Os presos chegaram a bater nas grades e o clima interno ficou tenso. Oito dos 12 agentes de plantão abandonaram os postos, alegando falta de segurança no trabalho. Um dia antes, doze presos – que participaram da rebelião em Piraquara e foram transferidos para Curitiba – tentaram se amotinar, quebrando uma porta e a parede de três celas.
O clima também é tenso entre os 462 presos da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL), depois de uma tentativa frustrada de rebelião na manhã de domingo, em protesto à proibição do recebimento de visitas. ‘‘O clima aí dentro é de muita tensão. Nunca se sabe bem o comportamento que podem ter 360 presos’’, comentou na tarde de ontem, em frente à PEL, Wilson Francisco Moreira, que é diretor do Sindicato dos Servidores do Sistema Penitenciário (Sinssp) em Londrina. Ao invés de contar com 50 agentes, cada plantão tem tido somente 17.
O diretor da PEL, Dyson Ferreira de Pinho, admitiu que a situação está ruim. ‘‘Os presos estão contrariados, sem a possibilidade de visitas e contando com serviços incompletos’’, disse. No domingo, o princípio de motim aconteceu em duas das sete galerias de celas. Presos arrombaram algumas portas e tentaram tomar o corredor, além de colocar fogo em colchões. A tentativa de rebelião só foi contida com a interveção do Batalhão de Choque da Polícia Militar, que usou bombas de efeito moral, balas anti-motim e cães adestrados. Ninguém ficou ferido.
A vice-presidente do Sindicato dos Servidores do Setor Previdenciário do Paraná, Sandra Márcia Duarte, disse que os agentes penitenciários irão analisar hoje a proposta do Estado. A assembléia será realizada às 11 horas, na Associação dos Servidores do Setor Previdenciário. (Colaborou Osmani Costa, de Londrina)

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