Clima é tenso entre ex-ribeirinhos e MST
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segunda-feira, 02 de junho de 1997
Lucinéia Parra, de Maringá 
A Polícia Militar de Paranavaí deslocou 40 soldados para Querência do Norte (113 quilômetros de Paranavaí) para controlar a crise entre os líderes do Movimento Nacional dos Trabalhadores Sem Terra (MST) e ex-ribeirinhos (agricultores que cultivavam terras na margem do Rio Paraná) acampados na Fazenda Sonho Real. Os sem-terra acusam os ex-ribeirinhos de ocuparem uma área diferente da negociada na semana passada entre os dois grupos.
Os sem-terra também afirmam que os agricultores descumpriram o acordo, levando para a fazenda Sonho Real 40 famílias. Pelo acordo que fizemos na semana passada, assinado pelos agricultores, somente 28 famílias teriam direito à ocupação, explica o coordenador estadual do MST, Neudemar da Silva. Ele afirma que os ex-ribeirinhos estão sendo usados pelos fazendeiros e integrantes da UDR para criar uma situação de conflito em Querência do Norte.
O conflito começou na última quarta-feira, quando os agricultores se mudaram para uma área que não estava prevista no acordo da semana passada. Segundo Silva, eles não cumpriram o acordo para facilitar a entrada de novos trabalhadores no grupo, já que a área hoje ocupada pelos agricultores fica perto de estradas vicinais.
Os sem-terra estão bloqueando a entrada de pessoas na área ocupada pelos agricultores. De acordo com o sargento Francisco Sérgio de Assis, os sem-terra fizeram diversos obstáculos nas estradas para dificultar a entrada de novos agricultores na área ocupada. Segundo ele, os sem-terra prometem retirar os agricultores de qualquer jeito. Já os agricultores afirmam que não vão deixar a área.
De acordo com o prefeito de Querência do Norte, Wanderlei Alves da Costa (PDT), o clima é tenso. Ele visitou o acampamento dos agricultores em busca de explicação para o descumprimento do acordo. Segundo o prefeito, os agricultores disseram que estão conscientes do clima de tensão, que pode piorar com a ocupação da área não negociada. Ele afirmou que a polícia permanece fora da área do conflito.


