Andirá - A onda de violência gerada pelo assassinato de um homem, domingo, em Andirá (Norte) intimidou os moradores. Ontem, a FOLHA voltou à cidade e encontrou uma população receosa em mostrar o rosto, com medo de represálias. Tudo porque a vítima, Edemilson Aparecido Pinotti, 27 anos, exercia forte liderança na Vila Industrial, um dos dois bairros mais violentos. Até a Polícia Militar optou por não acompanhar o sepultamento, realizado ontem à tarde, e também desaconselhou a presença da imprensa.
O clima de medo foi provocado pelas cenas de barbárie ocorridas desde a morte de Pinotti. Ele foi assassinado no domingo de manhã com golpes de facão por um ex-colega de bairro, Tiago Hilário da Silva, 26 anos. O rapaz teria cometido o homicídio depois de ter sido agredido e ameaçado de morte pelo grupo liderado pela vítima. Após o crime, Silva subiu no alto da caixa d'água, tentou se jogar mas foi contido por bombeiros e policiais. Embaixo, aliados de Pinotti ameaçavam o rapaz de linchamento. Durante a confusão, o carro de uma rádio foi incendiado, duas viaturas da PM foram apedrejadas, quatro policiais tiveram lesões leves e tiros foram disparados em meio a multidão. As cinco pessoas detidas foram liberadas após pagamento de fiança.
O autor do crime foi preso em flagrante e levado para Bandeirantes. Por questões de segurança, foi transferido para uma outra cadeia. A família dele também foi retirada da cidade.
Ontem, poucos moradores se aventuraram em falar. Os que aceitaram, pediram anonimato. ''Em Andirá, a gente não se surpreende mais com nada'', afirmou uma moradora. Um rapaz que estudou com Silva disse que ele não arrumava confusão. ''Ele era gente boa. Não fazia nada de errado'', falou. ''Os caras são perigosos. É bom tomar cuidado'', alertou um outro morador. Um outro rapaz comentou que Pinotti ''era o patrão da vila (Industrial), junto com um irmão''. Um comerciante que vive em Andirá há quase 70 anos reclamou que ''a bandidagem aumentou''. ''Nossa Polícia é boa mas falta gente'', opinou.
O velório de Pinotti foi realizado na Vila Industrial e a PM não fez rondas na região para evitar atritos nem acompanhou o sepultamento, marcado para as 16 horas. O comandante do 2º Pelotão, tenente Alessandro Luiz Wolski, analisou que a onda de violência aconteceu porque ''várias pessoas e familiares eram muito unidos à vítima'', que possuía antecedentes por tráfico de drogas e receptação. Segundo a PM, o grupo de Pinotti vive em pé de guerra com um grupo rival, do bairro de Santa Inês.
O comandante citou que Andirá (com cerca de 23 mil habitantes) sofre os efeitos do acirramento do tráfico de drogas, por estar às margens de uma rodovia importante que dá acesso a São Paulo e outras estradas secundárias. Wolski lembrou que há três semanas foram apreendidos 150 kg de maconha, meio de cocaína, um fuzil novo de fabricação americana e mais 200 munições de diversos calibres. ''Nossa localização geográfica facilita a distribuição de drogas para a região'', observou.
Apesar do caso ter chocado a população, o prefeito Alarico Abib afirmou que o município sofre os mesmos problemas de segurança da maioria das cidades brasileiras. ''Foi algo imprevisível e que se caracterizou, principalmente, pela revolta dos amigos e familiares do rapaz assassinado. Tivemos todo o apoio da polícia, o que sempre ocorre quando precisamos. Foi algo que fugiu do nosso controle e não temos como prever isso'', disse.
A reportagem procurou a assessoria de imprensa da Secretaria de Estado de Segurança Pública, mas não obteve retorno até o fechamento da edição. (Colaborou Fernanda Borges)

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