A crise financeira prejudicou o desempenho da Feira do Paraná 98 no setor animal, que este ano ficou sem a presença de grandes expositores que tradicionalmente participam do evento. O mau tempo também impediu que boa parte do público comparecesse ao Parque Castello Branco no último fim-de-semana da Feira e atrapalhou a vinda de animais para a exposição.
O público da Feira do Paraná 98 foi de aproximadamente 200 mil pessoas. Um balanço prévio do evento - os números finais só serão conhecidos hoje - foi feito pelo coordenador-executivo da feira, Natalino Avanci de Souza, que considerou boas as negociações realizadas nos oito dias da Feira. Ele preferiu não falar em sucesso, mas garantiu que a feira ‘‘atendeu aos objetivos’’.
O setor animal não apresentou o desempenho previsto - por causa das chuvas, até o volume de animais foi inferior ao previsto -, ficando para a indústria e comércio melhor performance nos negócios, com a movimentação de R$ 5,1 milhões. Nos contratos e convênios com os agentes financeiros, somente o Banco do Brasil apresentava volumes de negócios de R$ 12 milhões.
Ainda assim nem todos os expositores, que participam tradicionalmente do evento, compareceram este ano. ‘‘A gente sente que empresas de porte estão ressentidas com este momento econômico’’, avaliou Souza.
Porém, outras como a francesa Lacme, quinta maior fabricante mundial de equipamentos e acessórios para eletrificação de cercas rurais, valeram-se da Feira do Paraná para ingressar no mercado nacional. ‘‘Foi uma ótima porta de entrada’’, segundo Eric Van Vyve, gerente do Departamento de Exportação da Lacme. Há cinco anos, a empresa tentava ingressar no Brasil, sem êxito, embora exporte para países da América do Sul, como a Argentina, Colômbia e Venezuela.
No final da tarde o secretário da Agricultura, Antônio Leonel Polloni, disse à Folha que o grande mote do evento, neste ano, foi a interação do Paraná com mais de 20 países participantes. Nesses encontros discutiu-se desde a cadeia do café ao corte de carne exigido pelos importadores europeus. ‘‘O paranaense viu nos seminários como ele deve se posicionar na globalização’’, observou o secretário. ‘‘O maior insumo é a distribuição do conhecimento e não de sementes. Se o agricultor ou o empresário do ramo não for um profissional em sua área, não terá como competir no mundo globalizado’’.

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