Clima e crise prejudicam os negócios
PUBLICAÇÃO
domingo, 18 de outubro de 1998
Zeca Corrêa Leite 
A crise financeira prejudicou o desempenho da Feira do Paraná 98 no setor animal, que este ano ficou sem a presença de grandes expositores que tradicionalmente participam do evento. O mau tempo também impediu que boa parte do público comparecesse ao Parque Castello Branco no último fim-de-semana da Feira e atrapalhou a vinda de animais para a exposição.
O público da Feira do Paraná 98 foi de aproximadamente 200 mil pessoas. Um balanço prévio do evento - os números finais só serão conhecidos hoje - foi feito pelo coordenador-executivo da feira, Natalino Avanci de Souza, que considerou boas as negociações realizadas nos oito dias da Feira. Ele preferiu não falar em sucesso, mas garantiu que a feira atendeu aos objetivos.
O setor animal não apresentou o desempenho previsto - por causa das chuvas, até o volume de animais foi inferior ao previsto -, ficando para a indústria e comércio melhor performance nos negócios, com a movimentação de R$ 5,1 milhões. Nos contratos e convênios com os agentes financeiros, somente o Banco do Brasil apresentava volumes de negócios de R$ 12 milhões.
Ainda assim nem todos os expositores, que participam tradicionalmente do evento, compareceram este ano. A gente sente que empresas de porte estão ressentidas com este momento econômico, avaliou Souza.
Porém, outras como a francesa Lacme, quinta maior fabricante mundial de equipamentos e acessórios para eletrificação de cercas rurais, valeram-se da Feira do Paraná para ingressar no mercado nacional. Foi uma ótima porta de entrada, segundo Eric Van Vyve, gerente do Departamento de Exportação da Lacme. Há cinco anos, a empresa tentava ingressar no Brasil, sem êxito, embora exporte para países da América do Sul, como a Argentina, Colômbia e Venezuela.
No final da tarde o secretário da Agricultura, Antônio Leonel Polloni, disse à Folha que o grande mote do evento, neste ano, foi a interação do Paraná com mais de 20 países participantes. Nesses encontros discutiu-se desde a cadeia do café ao corte de carne exigido pelos importadores europeus. O paranaense viu nos seminários como ele deve se posicionar na globalização, observou o secretário. O maior insumo é a distribuição do conhecimento e não de sementes. Se o agricultor ou o empresário do ramo não for um profissional em sua área, não terá como competir no mundo globalizado.


