Clima do Sul favorece a meningite
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 26 de março de 2001
Emerson CerviDe Curitiba 
Dos 29 mil casos de meningite confirmados por ano no Brasil, três mil ocorrem no Paraná. A maior parte dos registros está no Sul do País por conta das condições climáticas favoráveis para o desenvolvimento da doença. Os números estão sendo debatidos por técnicos da saúde que participam em Curitiba do 1º Simpósio das Regiões Sul e Sudeste sobre Meningites.
O objetivo do encontro, que termina hoje, é promover uma integração entre as equipes de vigilância epidemiológica estaduais e municipais, laboratórios de referência e rede de unidades de referência. Com a integração é possível fazer uma avaliação epidemiológica precisa, melhorando o sistema.
Cinquenta profissionais do Sul e Sudeste do País participam do seminário. Para Miriam Wiuski, do departamento de doenças imunoprevisíveis da Secretaria de Saúde do Paraná, a integração entre organismos de vigilância vai melhorar o desempenho de todos os sistemas. Miriam é responsável pela vigilância epidemiológica no Paraná. Temos um bom sistema, mas trabalhamos principalmente com informações para reduzir o número de ocorrências, diz.
Segundo ela, o registro de três mil casos por ano no Paraná é considerado uma taxa normal. Para alguns tipos temos vacinas disponíveis à população e para outros um sistema de atendimento rápido que evita a propagação da doença.
A meningite é uma infecção do sistema nervoso central causada por vírus, bactérias, fungos e vetores desconhecidos. Se não for tratada, a doença pode causar problemas de visão, retardamento mental, paralisia de membros inferiores e até a morte.
A taxa média de letalidade da meningite no Paraná é de 11% dos casos. Mas varia de acordo com o tipo de agente causador. A meningite bacteriana meningocócica chega a causar morte em 25% das pessoas atingidas. Já no caso da meningite viral, a letalidade fica em cerca de 1% dos casos.
No Paraná, 40% dos casos registrados são de meningite viral. As meningites bacterianas, por fungos, tuberculosa e não especificadas somam os 60% restantes. A meningite meningocócica é a que exige maiores cuidados por ter uma capacidade de transmissão rápida e alta taxa de letalidade, explica a técnica. Ano passado, foram registrados cerca de 300 casos de meningite meningocócica no Estado.
Os surtos de meningite viral em Ponta Grossa no ano passado e em Londrina entre 1997 e 1999 não são alarmantes, de acordo com a técnica. Durante os meses de verão, entre novembro e março, há maior incidência de meningite viral, principalmente em crianças com cerca de 2 anos de idade, diz Miriam. O tipo de meningite viral que atingiu crianças em Londrina e Ponta Grossa nos últimos anos é causada por um enterovírus (vírus encontrado no intestino de humanos). Quando ingerido, esse vírus pode chegar à corrente sanguínea e causar infecção do sistema nervoso central.
Crianças com essa idade ainda não têm bons hábitos de higiene, o que facilita a infecção, mas esse tipo da doença não é transmissível pelo ar e a taxa de letalidade é mínima. Entre 1997 e 1999 foram registrados 350 casos de meningite viral por ano em Londrina. Esse índice é seis vezes maior que o normal. Em Ponta Grossa, no ano passado, foram mais de 50 casos, contra mais de 100 este ano.


