Ibiporã - Cerca de duas mil pessoas passaram pela Igreja Assembleia de Deus, em Ibiporã (Norte) durante a madrugada e manhã de ontem para dar o último adeus à família Murgi. Entre o clima de tristeza, era perceptível a indignação das pessoas em relação ao crime.
O velório foi realizado na igreja que Elias, 61 anos, e Maria de Lourdes Murgi, 60, frequentavam há anos. ''Todos os domingos eles estavam aqui. Era um casal muito religioso'', comentou o pastor José Vilande. O crime ocorreu na noite de domingo, por volta das 23 horas, logo após Elias, Maria de Lourdes, a filha Valquíria, 36 anos, e a neta de 13 anos chegaram em casa, após a missa. Eles moravam em um sítio na Barra do Jacutinga.
O ex-marido de Valquíria, Marcos Antônio Antunes, de 29 anos, inconformado com a separação, é apontado como autor dos homicídios. Segundo testemunhas relataram à polícia, ele chegou armado na residência e atirou contra todos e também desferiu golpes de faca. Uma menina de três anos, filha de Marcos, não foi atingida e o irmão de Valquíria que estava na residência conseguiu escapar e avisar a polícia.
Maria Francisca Pereira, 73 anos, veio de Boituva, no interior de São Paulo, para se despedir da irmã Maria de Lourdes. Muito abalada, ela disse estar à base de calmante para poder enfrentar a situação. ''Quando recebi o telefonema sobre a morte da minha irmã, meu mundo desabou. Ela era muito religiosa, uma boa mãe e esposa. Está difícil acreditar que tudo isso aconteceu'', desabafou.
Uma cunhada de Marcos Antunes, que não quis ser identificada, também esteve no velório e disse estar assustada com o que aconteceu. Em lágrimas, ela afirmou que ''era uma família muito unida, gente boa e conhecida em toda a cidade''.
Ameaças
Uma das irmãs de Valquíria, que não quis ser identificada, disse que ela costumava ligar para dizer que o relacionamento com Marcos não estava bem. ''Mas ela sempre me dizia que contaria depois, que não podia falar agora. Ele já estava ameaçando ela'', contou.
No domingo à tarde, a família toda esteve reunida no sítio. ''Foi a última vez que os vi. Minha mãe estava extretamente feliz e o meu pai, tranquilo como sempre. Ele amava morar ali'', completou.
Ela também revelou que os familiares estão muito abalados e com uma imensa sensação de insegurança. Segundo ela, no domingo, horas após o crime, recebeu uma ligação anônima em casa. ''Toma cuidado que você é uma da lista negra'', relembrou, assustada. ''Me disseram só isso e desligaram. Não sei o que fazer. Estamos com muito medo, pois ele (Marcos) é uma pessoa extremamente perigosa'', afirmou.

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