Tamarana - Foi um fim de semana tenso para os moradores da pacata cidade de Tamarana, a 55 km de Londrina. Desde a madrugada de sábado, quando duas agências bancárias foram alvo de um grupo fortemente armado, a população tenta se recuperar do susto. "Ouvimos barulho de tiro e a nossa primeira reação foi deitar no chão. Foi uma sensação de muita impotência. A gente não podia fazer absolutamente nada", disse o corretor de imóveis Ademir Ferreira. Ele mora nos fundos do escritório que fica entre as duas agências bancárias danificadas pelos criminosos, com a ajuda de uma retroescavadeira. Aproximadamente 20 homens teriam participado da ação.
A cidade, com pouco mais de 13 mil habitantes, começou a semana com pouca movimentação nas ruas e muitas lembranças sobre o crime. O corretor de imóveis e a esposa assistiam televisão no quarto quando ouviram os primeiros disparos. "Era quase 1 hora da madrugada. A gente ouviu barulho de veículos, de tiros, de gritos e da retroescavadeira que foi destruindo tudo. O telefone de casa tocava sem parar e acabei tirando o fio da tomada. Achei que o som pudesse chamar a atenção dos outros do grupo. A gente se comunicava com os vizinhos por mensagens de celular", contou. O maquinário utilizado no roubo estava no pátio de veículos da Prefeitura de Tamarana. O grupo invadiu o local e saiu com o equipamento danificando o portão do estacionamento do município.
O primeiro alvo foi a agência do Banco do Brasil. Em seguida, a agência do Banco Itaú foi invadida. Toda a ação dos assaltantes, segundo Ferreira, durou aproximadamente 45 minutos. "Tremia tudo! Eles fecharam a rua e não deixaram ninguém passar. Eu achava que eles iriam invadir a minha casa com a máquina! Foi assustador... A polícia demorou muito para aparecer por aqui", reclamou. Um rapaz ficou ferido durante a ação. Na manhã de ontem, funcionários de uma transportadora de valores permaneceram em frente à agência do Banco do Brasil. O imóvel estava isolado apenas por uma fita colocada pelos policiais. O gerente preferiu não dar declarações sobre a destruição e a quantia roubada. Já o que restou da fachada do Banco Itaú foi isolada por tapumes e lonas. Nenhum responsável estava no local.
"Agora vai ficar muito mais difícil. Vou ter que ir até Londrina. É complicado para quem mora por aqui", lamentou o lavrador José Maria Alves, que mora no Distrito de Lerrovile. Além da preocupação com a falta de segurança, o comerciante Rube Camargo teme prejuízos com o fechamento temporário das agências. "Isso vai atrapalhar demais a economia. As pessoas vão ter que ir para Londrina e vão acabar gastando por lá", comentou.
Segundo o prefeito de Tamarana, Paulino de Souza, a cidade possui alternativas para a população como agências das cooperativas de crédito Sicredi e Cresol, uma lotérica e uma unidade dos Correios. Quanto a insegurança dos moradores, Souza informou que se reuniu com representantes do governo do Estado e solicitou há 30 dias um reforço no policiamento da cidade. "Nesse caso, mesmo que nós estivéssemos com 50 policiais em Tamarana isso não adiantaria. Poderia ser até pior. Isso poderia colocar a população em risco. Como eles iriam tomar providências com a população na rua e até com reféns? Se a polícia cercasse a cidade, seria muito pior", defendeu o prefeito. Ele preferiu não revelar quantos policiais atuam em Tamarana e nem a quantidade de câmeras de segurança instaladas na cidade. A retroescavadeira, abandonada no local do crime, foi recolocada no pátio da prefeitura.
No mês passado, uma ação semelhante ocorreu no município de Ortigueira (Campos Gerais), a 130 km de Londrina. Duas retroescavadeiras da prefeitura foram roubadas e utilizadas no assalto a uma agência bancária. O imóvel foi completamente destruído. O grupo fugiu com um dos cofres removidos do local. O delegado chefe da 10ª Subdivisão Policial de Londrina, Sebastião Ramos dos Santos Neto, informou apenas que um inquérito policial foi instaurado para apurar os fatos. Segundo ele, representantes das agências bancárias ainda não haviam informado as quantias roubadas até a manhã de ontem.
O oficial de planejamento do 5º Batalhão da Polícia Militar de Londrina, capitão Marcos Tordoro, disse que o serviço de inteligência da PM está trabalhando para identificar e prender a quadrilha que vem atuando nos municípios do interior. O capitão afirmou que os bandidos que agiram em Tamarana são os mesmos que roubaram as agências bancária em Ortigueira e Rio Branco do Ivaí, no Vale do Ivaí.
Tordoro descartou a possibilidade de aumentar o efetivo policial em Tamarana. Hoje, a cidade conta com dois policiais por turno e mais um no plantão atendendo as ligações. "Tamarana é de porte equivalente aos outros municípios do interior que contam com dois policiais e não tem indicativo para mais policiais. Essa é a realidade dos nossos municípios", comentou. No caso do ação na madrugada de sábado, as equipes do Pelotão de Choque e da Rádio Patrulha de Londrina foram acionadas, mas os bandidos conseguiram escapar antes da chegada do reforço.(Colaborou Aline Machado Parodi)

Clima de insegurança toma conta de Tamarana
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