Especial para a Folha
Dia de abertura da Copa do Mundo é uma data mais do que especial para os brasileiros, gostem ou não de futebol. Os bancos estão fechados na hora do jogo, o comércio também, as repartições públicas fazem expediente somente pela manhã e, assim, todos são envolvidos no chamado ‘‘clima’’ da Copa. Em Curitiba, a cidade pode não estar tão enfeitada quanto em outros mundiais, como o de 94, mas por todos os bairros vêem-se manifestações de apoio à Seleção Brasileira, na forma de faixas, bandeiras e enfeites nas ruas.
No Centro, onde a Rua XV funciona como uma espécie de termômetro curitibano, a manhã de ontem marcou o começo, de fato, do ‘‘clima de Copa’’. Durante todo o dia vendedores de bandeiras, cornetas e camisas da Seleção disputavam os transeuntes, na base do grito, tentando faturar um pouco mais na véspera do Mundial. O ambulante Zaqueu Alves, 54 anos, por exemplo, estava feliz da vida. Até o meio-dia havia vendido mais de 50 bandeiras do Brasil. ‘‘Eu tenho fé que o Brasil vai ser campeão, mas o povo não está muito animado’’, conta ele, que esperava vender até o fim do dia cerca de 100 bandeiras e 50 cornetas.
Mauro FrassonFeliz da vidaZaqueu: até o meio-dia de ontem, tinha vendido mais de 50 bandeirasComo já é uma tradição brasileira deixar tudo para a última hora - inclusive a compra de bandeiras e adereços para torcer pelo Brasil - os ambulantes não estranharam o movimento irregular. ‘‘Acho que é por causa da crise, que deixa as pessoas com a grana curta’’, relata outro vendedor de rua, Amantino Alves da Cruz, que contabilizava, às 14h, cerca de 100 bandeiras vendidas. O lucro dos ambulantes é até razoável, se considerarmos que cada bandeira, por exemplo, custa R$ 0,30 e é vendida a R$ 1,00. ‘‘Dá para tirar uns trocados, ainda que seja no afogadilho’’, comemora Amantino, que está fazendo este bico para ajudar no orçamento doméstico.
Torcida - Se os ambulantes estão animados, o mesmo não se pode dizer dos torcedores. Apesar de a Copa começar hoje e as pessoas estarem saturadas de tanta informação sobre os jogos, poucos torcedores saíram às ruas vestidos de verde e amarelo. Uma das exceções é a vendedora Rosângela Reis de Andrade, 24 anos, que ontem desfilava pela Rua XV, chamando atenção com a camiseta do craque Ronaldinho. ‘‘Estou saindo arrumada para torcer pela Seleção a semana inteira e vou ficar assim até o final da Copa’’, diz ela.Início do Mundial contagia os curitibanos, que já saem às ruas vestidos de verde-amarelo e assumem bandeirinhas e cornetas
Mauro FrassonTorcedora fanáticaRosângela: desfilando com a camiseta de Ronaldinho até o final da CopaRuas, prédios e
carros já aparecem
decorados com as
cores do Brasil

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