Clientes usam jornais para contratar michês
Clientes usam
jornais para
contratar michês
Enquanto os michês que procuram programas nas ruas de Curitiba reclamam da falta de dinheiro, os garotos de programa de luxo que apenas atendem os telefonemas de resposta a anúncios de jornais dizem que estão satisfeitos com o retorno financeiro da prostituição. O professor de dança Kadu, de 22 anos, iniciou os trabalhos como michê há seis meses e já tem diversos clientes fixos. Sempre gostei muito de sexo. O que eu fazia por prazer, faço agora também por dinheiro, define.
Kadu não pretende passar muito tempo fazendo michês, ele quer quitar o apartamento onde mora e ter filhos. Moreno claro, 78 quilos e com um metro e 80 de altura, ele diz que consegue conquistar muitos clientes e acredita que em breve consiga alcançar seus objetivos. Não tenho do que reclamar, sou conhecido pela minha beleza, chamo a atenção, diz.
Mesmo aceitando a maioria das regras dos clientes, Kadu não deixa de usar preservativo. Eu ganho para me prevenir, tenho muito o que viver ainda, argumenta. O estudante Leonardo, de 18 anos, também resolveu entrar para a prostituição há pouco tempo. De acordo com ele, há cinco meses foi tomada esta decisão, após quase um ano de tentativa frustrada de conquistar um emprego. Já não sabia o que fazer quando vi o anúncio de alguns garotos no jornal. Liguei para eles, me informei sobre como deveria me portar e entrei para a vida, afirma.
Leonardo diz que no início teve que enfrentar muitos problemas. Agora, com mais jogo de cintura, ele não perde a chance de humilhar os clientes que tentam fazer pouco caso dele. Tive cliente que tentou se desfazer de mim, me ofendendo. Eu revidei. Disse que achava que ele era infeliz, sexualmente mal definido, diz. De acordo com Leonardo, os clientes geralmente querem ser dominados. São homens, com mais de 30 anos, que comandam funcionários e a esposa e precisam ser comandados, diz. Por semana, ele recebe cerca de quatro ligações femininas e 50 masculinas.
Além do dinheiro da prostituição masculina, Leonardo recebe uma mesada do pai, que mora no interior do estado. Seu sonho é fazer duas faculdades e morar em New York. Este sonho é para daqui dez anos. Quero antes fazer minha vida por aqui, afirma. O michê não quer ser sustentado por clientes, ele busca a independência. Quero ser independente, ter um pouco de poder nas mãos, salienta.
Há quatro anos fazendo michê, Kadu Carioca, de 23 anos, diz que resolveu ser garoto de programa porque não conseguia emprego no Rio de Janeiro, onde morava. Atualmente, em Curitiba, ele garante atender a até seis clientes por dia e cobra R$ 60,00 por programa. Se a informação é correta, Kadu pode chegar a um ganho no mês de até R$ 10 mil, o equivalente a 90 salários mínimos.
Carioca sonha em trabalhar como professor de ensino infantil. Ele já foi instrutor de educação física para crianças. Não quero ter muito. Quero viver bem e manter minha mãe, que mora em Goiás, diz com humildade. (L.P.)





