Clientes de cidades vizinhas aproveitam passeio e comida barata
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quarta-feira, 05 de setembro de 2012
Micaela Orikasa <br> Reportagem Local 
Quem passa em frente ao Restaurante Popular Leonel Brizola, inaugurado em julho deste ano na Rua João Cândido, esquina com a Avenida Leste-Oeste, no Centro de Londrina, se espanta com a quantidade de pessoas à espera da abertura do refeitório, às 11 horas.
Por dia, são servidas cerca de mil refeições, de acordo com a ordem de chegada. Isso explica o porquê da enorme fila a partir das 10 horas. Mas ao contrário do que se pensa, muitos não reclamam de ficar em pé, sob sol ou chuva, quando o objetivo é matar a fome.
Entre as centenas de pessoas que formam a fila, é comum encontrar idosos que encaram o programa como um verdadeiro ''turismo alimentar''. Como é o caso da aposentada Isabel Martins, de 90 anos. De dois a três dias na semana, ela sai de casa em Cambé (Norte) e pega um ônibus até o Terminal Central. ''Moro sozinha e às vezes me dá muita preguiça de ir para o fogão. Daí, acabo fazendo um passeio até aqui e não gasto quase nada'', conta ela, se referindo à isenção da tarifa de ônibus e à refeição a R$ 1,50.
Bem disposta, dona Isabel diz que não se importa de esperar uma hora na fila até a abertura do restaurante. ''Vou conversando com um e com outro e de repente, já fiz amizade. Na verdade, isso aqui para mim é um verdadeiro passatempo'', afirma ela, que faz questão de elogiar o cardápio. ''Não tem muito sal e nem é muito gorduroso'', aponta.
Quem também se contenta com a refeição é Nelson Rodrigues Pesqueiro, de 76 anos. Morador de Cambé, garante que almoça todos os dias no local. ''Sempre sou um dos primeiros da fila. Gosto de chegar cedo para ir conversando com os amigos. Não compensa eu cozinhar já que moro sozinho'', afirma ele, que tem o cardápio na ponta da língua. ''Tem arroz, feijão, carne e uma mistura boa. É comidinha saudável para pobre'', brinca.
Pedro Onório Gomes, de 71 anos, frequenta o restaurante duas vezes por semana, após consulta médica. ''Se eu fosse almoçar em outro lugar, iria pagar mais de R$ 5. Como moro longe, aproveito para comer pagando baratinho e volto tranquilo para casa'', conta o morador de Florestópolis (Norte).
Meia hora antes de abrir o restaurante, a fila já chegava perto de dobrar a esquina da Rua Benjamin Constant. Quem estava lá pela primeira vez, procurava saber o ''sistema'' de funcionamento. ''Será que é bom mesmo?'', questiona Antônio Luis da Silva, de 74 anos. Ele veio de Curitiba para visitar os dois irmãos, que estão internados. ''No começo do ano, estive aqui e vi que estava construindo, mas hoje já vou poder almoçar'', comenta.
Mesmo quem mora em Londrina e não trabalha na Área Central, não deixa de aproveitar o preço do Restaurante Popular. ''Todos os dias venho antes e espero meu marido sair da hidroginástica. Acho mais vantajoso comer aqui do que preparar em casa. Além disso, não preciso lavar as panelas depois'', brinca Vanda Cloc, de 75 anos. Ela é moradora do Jardim Morumbi (Zona Leste) e conta que, além do preço baixo, o restaurante atrai porque ''a comida é saudável e o ambiente, limpo''. ''Depois de comer, pego um ônibus aqui na frente e vou embora descansar. Não é vantajoso?'', comenta.


