Clientes de cartório queixam-se de 'atendimento constrangedor'
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 25 de agosto de 2000
Edna Mendes De Londrina 
Com a alegação de se proteger contra assaltos, a direção de um cartório do centro de Londrina adotou um sistema de atendimento que está provocando constrangimento a alguns clientes. O mecanismo de segurança do 1º Tabelionato de Protestos de Títulos de Londrina, localizado no início da Avenida Paraná (quase esquina com a Avenida Higienópolis), é composto por um grande paredão, com minúsculas visores e pequenos orifícios. Nos guichês, a Folha flagrou a dificuldade de comunicação entre os usuários e os atendentes.
A experiência que acabei de ter agora é ridícula. A gente precisa gritar para ser ouvida. Todas as pessoas que estão no cartório ouvem o que a gente fala, inclusive nossos dados pessoais, reclamou a dona de casa, Laudicéia Cristiane Freiria, 26 anos, na tarde de quinta-feira. A comerciária Thaíse Crude também se queixou. Para me atender o funcionário precisou gritar. Eu não sei se ele foi mal-educado ou se ele queria se fazer ouvir. Só esse cartório é desse jeito, contou. A estudante Mariana Lourenço disse que a situação é ainda mais constrangedora para quem vem ao cartório pagar um título protestado. Ninguém gosta que outras pessoas saibam de problemas particulares.
De acordo com o titular do cartório, Marcos Medeiros de Albuquerque, o sistema de segurança é necessário para evitar a ação dos assaltantes. Ele explica que o visores (de aproximadamente 10 cm x 15 cm) são blindados e foram instalados depois que o cartório sofreu dois assaltos consecutivos. Fiz consultas com alguns amigos policiais e especialistas em segurança que me orientaram a implantar o atual sistema. Não acho que o nosso atendimento constrange as pessoas, disse.
Albuquerque disse que o estabelecimento oferece aparelhos de intercomunicação que dimimuem a dificuldade de atendimento, mas que os clientes não utilizam o equipamento. Ele ressaltou que o cartório oferece um serviço especializado para o atendimento de idosos e deficientes.
Na tarde de quinta-feira, Albuquerque afirmou que não pretendia fazer alterações no sistema de atendimento, pois aguarda o término das obras do prédio que deve abrigar, em um ano, o cartório. Na sexta, a Folha foi informada pela Corregedoria de Justiça de que a estrutura funcional do cartório deve sofrer modificações nos próximos dias.
O juiz auxiliar da Corregedoria de Justiça, Expedito Reis do Amaral, disse que foi informado pelo titular do cartório sobre a polêmica que envolve o atendimento do estabelecimento. Estive lá e também estranhei a estrutura, porém não constatei nenhum constrangimento naquele momento, disse.
Amaral ressaltou que a Corregedoria só pode se manifestar sobre o caso, se receber uma reclamação formal.
Reclamações, denúncias, críticas ou sugestões sobre cartórios ou tabelionatos podem ser feitas pelos fones 0800-410100 ou (41)350-2070 e pelo email [email protected]


