Clientes de bancos são alvo de quadrilha
Lúcio Horta
De Londrina
O golpe do cartão magnético voltou a ser praticado em Londrina. Em duas semanas, pelo menos quatro pessoas foram lesadas pelos golpistas e o prejuízo pode passar dos R$ 20 mil. Os estelionatários frequentam agências bancárias da cidade e abordam clientes como se fossem funcionários do banco. Em seguida, alegam algum problema no caixa automático e trocam o cartão do cliente sem que ele perceba. Depois, sacam todo o dinheiro da conta da vítima.
O último caso ocorreu na sexta-feira, por volta das 15h45, na agência do Itaú na Avenida Higienópolis (área central). O comerciante Júlio César de Oliveira, 24 anos, procurou um dos caixas automáticos da agência para retirar um extrato quando foi abordado por uma moça muito bem vestida e com crachá do banco.
A moça disse que aquele equipamento estava com problemas e pediu para Júlio César fazer a operação em outro. O cliente mudou de caixa eletrônico, tentou fazer a operação, inclusive digitando a senha, e a mesma moça voltou a afirmar que aquela máquina também estava defeituosa. O comerciante desistiu da operação e resolveu voltar outro dia ao banco.
Anteontem, Júlio César voltou ao Itaú, desta vez na agência da Duque de Caxias, para pagar algumas contas. Como não conseguia fazer as operações no caixa automático, foi até a agência da Higienópolis e procurou um funcionário para falar do problema. A funcionária o chamou por um outro nome - Valdir Moreira da Silva, provavelmente outra vítima - e somente neste momento ele percebeu que o cartão foi trocado e que ele tinha caído num golpe.
Júlio César de Oliveira foi conferir a conta e descobriu que os estelionatários tinham retirado no mínimo R$ 2 mil, entre empréstimos (um deles de R$ 1 mil para ser pago em seis prestações) e limite de crédito. Mas o prejuízo pode chegar até R$ 3 mil, lamenta.
No novo extrato, que ele retirou anteontem, o comerciante descobriu também que os estelionatários haviam feito transferências de outras contas para a conta dele e que, depois, todo o dinheiro era sacado. Detalhe: na sexta-feira ele tinha apenas R$ 35,00 disponíveis.
Foi tudo muito rápido. Eles são muito bons no esquema porque não deu para perceber nada. Qualquer um pode cair no golpe. E ainda sou esperto, não vacilo, digito a senha com cuidado. Mas não consigo explicar como isso aconteceu, disse. Parece coisa de Mister M.
O analista de sistemas João Bosco Nogueira, 49 anos, por pouco não caiu no golpe do cartão. No sábado, por volta das 10 horas, ele procurou a agência do Itaú do Calçadão da Avenida Paraná (área central) para retirar dinheiro do caixa automático. Tinha cerca de seis pessoas na fila. Depois de concluir a operação, um rapaz perguntou a Nogueira se a máquina estava liberando notas de R$ 10,00. Enquanto ele respondia, outro rapaz veio por trás, deu um tapa na máquina (que mudou da tela de serviço para a inicial), e avisou que a operação não estava concluída. O analista colocou o cartão novamente no caixa, refez a operação e retirou o cartão. Isso quase ao mesmo tempo em que o rapaz colocou um outro cartão na máquina. Ou seja, trocou de cartão sem que o cliente percebesse.
Saí do caixa, mas estranhei aquela confusão toda. Abri a carteira e vi que estava com cartão trocado. Voltei e o rapaz estava na fila de novo, talvez esperando outra vítima, contou Nogueira. Ele disse que foi até o rapaz e exigiu o cartão de volta. Quando ele ia devolver, outra pessoa gritou e perguntou o que estava acontecendo. Foi aí que eu percebi que todo mundo ali estava envolvido. Fiquei na porta e disse que ninguém ia sair dali e que todo mundo ia preso, lembra.
Ainda segundo ele, um outro rapaz até chegou a retirar uma carteira supostamente da polícia, avisando que era policial. Na verdade, tratava-se de mais um golpista do grupo. Quando finalmente o vigia do banco se aproximava, o grupo retirou o analista da porta do banco, à força, e fugiu pelo Calçadão. Eram pelo menos quatro pessoas, disse. Neste caso, não houve prejuízo: o cartão foi cancelado em seguida e não deu tempo dos golpistas sacarem dinheiro.Usuários de caixas eletrônicos são vítimas de falsos funcionários, que trocam cartão magnético e limpam contas bancárias
Mario CesarVÍTIMAJúlio César com o extrato que comprova prejuízo: Foi tudo muito rápido. Parece coisa de Mister M





