Curitiba - Desde o dia 1º de agosto deste ano até a última segunda-feira, foram registrados em Curitiba e região 15 assaltos a agências bancárias, com duas mortes, de acordo com levantamento do Sindicato dos Bancários de Curitiba e Região. São casos como o que vitimou nesta semana Edson Valenga, 40 anos, funcionário de um cinema da Capital, e que necessitam do envolvimento dos proprietários de bancos, agentes de segurança pública e comunidade.
A ação dos assaltantes geralmente é iniciada dentro das agências bancárias, com a observação dos clientes e identificação das vítimas em potencial, aqueles que realizam o saque de maiores quantias. As informações são repassadas aos outros assaltantes, posicionados do lado de fora das agências e que esperam o momento certo para realizarem a abordagem nas proximidades do local. Tanto assaltantes quanto vítimas não apresentam um perfil específico.
Além da morte ocorrida na última segunda-feira, na Vila Hauer, também ganharam destaques em Curitiba assaltos realizados em diversos bairros e ainda o caso em que morreu a pró-reitora de pesquisa e pós-graduação da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Maria Benigna Martinelli de Oliveira, em março deste ano.
"Estamos vivendo um momento delicado em relação à segurança", afirma o presidente do Sindicato dos Bancários, Otávio Dias, que apresenta também os índices nacionais. De acordo com o levantamento realizado pela confederação da categoria, entre 1º de agosto e 12 de setembro deste ano, foram 33 assaltos em todo o Brasil. Destes, 13 ocorridos na capital paranaense durante o mesmo período. "Um terço dos assaltos no País aconteceram em Curitiba", ressalta.
Uma das principais queixas dos bancários e dos policiais é a estrutura de segurança das agências bancárias, prevista pela Lei Federal 7.102/83. A lei estabelece que são obrigatórios o funcionamento de vigilância e alarme e que a empresa deve disponibilizar ainda recursos como cabine blindada, porta de segurança com detectores de metais ou fechadura eletrônica programável para cofres. Porém, são feitas duas principais reclamações em relação ao posicionamento das portas com detectores de metais e das câmeras de segurança.
Em muitas agências, as portas com detectores de metais são localizadas distantes da entrada principal dos prédios -deixando os clientes que utilizam os terminais de pronto atendimento vulneráveis a assaltantes- quando deveriam estar na parte frontal do espaço. "Os banqueiros estão preocupados com o patrimônio deles", critica Dias.
O posicionamento e a qualidade das câmeras de segurança também dificultam a identificação dos frequentadores das agências e possíveis assaltantes. Há ainda casos em que as empresas se recusam a entregar as fitas para os policiais. "Precisa de um sistema que realmente monitore. A maioria (das câmeras) está posicionada por cima, se o sujeito é ligeiro, ele não levanta a cabeça, usa um boné", afirma o Coronel Jorge Costa Filho, comandante do Policiamento da Capital.
Como a maioria dos casos ocorre fora das agências e nas proximidades dos bancos, os agentes de segurança pública também são responsáveis pelo combate aos assaltos. De acordo com o coronel, a principal dificuldade é identificar os assaltantes quando eles não são abordados em flagrante. Ele afirma que já estão em andamento as operações que reforçam a segurança nesta época do ano, quando as pessoas recebem seus pagamentos e saem às compras de final de ano.
Coronel Costa acredita que os próprios funcionários das agências podem contribuir para evitar a ocorrência de assaltos ao observar as pessoas que permanecem nas agências durante muito tempo "de bobeira". Costa também contesta os números apresentados pelo presidente do Sindicário dos Bancários, que mostram Curitiba com altos índices de assaltos. Ele afirma que o Estado apresenta grandes números por ser rigoroso no cadastro das ocorrências registradas, o que, de acordo com ele, não é realizado tão criteriosamente em outras regiões do País. "Pagamos um preço pela nossa eficiência."
A equipe da FOLHA entrou em contato com a assessoria de imprensa da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), que não respondeu sobre o sistema de segurança nas agências.


Como evitar assaltos

- Prefira utilizar cartões de crédito e débito a dinheiro em papel e evite carregar grandes quantias. "Use a tecnologia a seu favor", recomenda o coronel Jorge Costa Filho, comandante do Policiamento da Capital.
- Evite contar o dinheiro retirado do banco durante muito tempo e na frente de estranhos.
- Preste atenção nas pessoas que estão a seu redor enquanto utiliza o caixa eletrônico.
- Seja discreto e rápido durante a operação.
- Procure ir ao banco acompanhado.
- Proteja a senha no momento de digitá-la.

Fonte: Polícia Militar e Federação Brasileira de Bancos (Febraban)

mockup