Compradores de imóveis de Londrina da construtora Encol pretendem formar uma associação para garantir que as obras sejam concluídas ou, pelo menos, que o dinheiro que investiram até agora seja devolvido. Uma assembléia para a criação da associação está marcada para a próxima segunda-feira, às 19h30, na Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil).
Em Londrina devem existir aproximadamente 400 mutuários da Encol, segundo o comerciante Gabriel Ribeiro de Campos. Ele é um dos clientes da Encol, tendo adquirido um apartamento em um dos prédios localizados na avenida Madre Leônia Milito (zona sul). O comerciante conta que a idéia de criar uma entidade representativa dos mutuários surgiu há algumas semanas.
Uma das finalidades da associação, afirma o comerciante, é tornar a classe dos mutuários forte para que ela tenha poder de decidir caso seja decretada a falência da Encol. ‘‘Em caso de falência, o maior credor, no caso os bancos, assumiria a administração da Encol’’, observa. Na opinião dele, quanto mais entidades de mutuários forem criadas para fortalecer a Associação Nacional, cuja sede funciona em Brasília, melhor. ‘‘A associação nacional se tornaria também um dos maiores credores, tendo, pelo menos, uma vaga na mesa de negociação.’’
Gabriel Campos observa que a associação tentará também sensibilizar a comunidade para a situação da Encol, alertando que não se trata de um problema isolado. ‘‘Será que se outra empresa do ramo quiser vender imóveis na planta, as pessoas não vão ficar com medo de comprar?’’, questiona. Segundo ele, em Londrina são nove empreendimentos da Encol, que totalizam cerca de 400 apartamentos. Ele afirma que, em média, cada mutuário pagou à construtora R$ 50 mil. ‘‘Isso totaliza cerca de R$ 21 milhões que demos para a Encol e não sabemos onde foram parar.’’
O comerciante Luis Fernando Costa Consalter, um dos clientes da Encol, relata que, quando adquiriu um apartamento da construtora, deu como parte do pagamento um carro e um terreno. Ele calcula que até hoje pagou à Encol cerca de R$ 95 mil em um apartamento onde pretendia morar quando casasse. ‘‘Estou tendo que adiar o casamento por causa disso’’, afirma, observando que o imóvel deveria ser entregue em janeiro deste ano.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil, Denilson Pestana, acha a idéia da associação válida. ‘‘Se os mutuários precisarem de algum apoio, o sindicato está à disposição.’’

mockup