JACAREZINHO - O pecuarista Amauri de Melo Gomes, 58 anos, de Ribeirão Claro (25 quilômetros a leste de Jacarezinho) sofreu mais um atentado à bala na madrugada de ontem. Foram disparados cinco tiros contra a casa do genro do pecuarista em Jacarezinho, onde ele estava hospedado desde o início do mês.
Segundo o advogado Vicente Magalhães, 37 anos, este é o terceiro atentado sofrido pelo pecuarista desde maio de 96, quando inicou uma ação na Justiça contra agiotas de Ribeirão Claro que estavam cobrando altas taxas de juros. ‘‘Sabemos que este é um efeito intimidatório para que os processos não tenham andamento’’, afirma o advogado.
Vicente Magalhães explica que o pecuarista fez alguns empréstimos de agiotas no início do Plano Real. Um dos empréstimos feito pelo pecuarista em julho de 94 foi de R$ 2 mil. Em maio de 96, a mesma dívida estava avaliada em R$ 38,7 mil e hoje já passaria de R$ 100 mil, conforme os juros dos credores.
Em maio de 96, o advogado entrou com 18 ações pedindo revisão das taxas de juros e, enquanto isso, pediu para sustar alguns cheques cauções emitidos pelo pecuarista. ‘‘Desde então começaram os atentados’’. Coincidência ou não, os atentados acontecem sempre que o advogado, que é de Curitiba, visita o cliente.
O primeiro atentado ocorreu dia 25 de julho de 96. Foram disparados dois tiros na sala onde estavam o advogado e o pecuarista, em Ribeirão Claro. No segundo atentado, em 6 de março, o advogado estava chegando na residência do cliente quando seis tiros foram disparados.
Ontem, após o terceiro atentado, o advogado acionou a promotoria pública, a delegacia local e a Ordem dos Advogados do Brasil. Vicente Magalhães afirma que três agiotas comandam o setor em Ribeirão Claro. Os três, segundo o advogado, usam outras pessoas para emprestar dinheiro na cidade em nome deles, daí a dificuldade em indentificar suspeitos.

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