O mototaxista Henrique Pereira da Silva, 27 anos, está inconformado com o que considera uma irresponsabilidade da loja filial Quintino do Foto Célula. Segundo ele, funcionários daquela loja desapareceram com ‘‘uma foto familiar de valor inestimável’’.
Henrique da Silva conta que o problema começou em meados de fevereiro, quando uma prima dele - Terezinha dos Anjos - utilizou-se do serviço disk-revelação daquela loja para tentar reproduzir uma foto em preto e branco, com quase 25 anos de existência. ‘‘O motoqueiro foi à casa dela, na zona sul da cidade, pegou a fotografia e levou à loja. Entregou-a a uma funcionária. Daí para cá, nunca mais a vimos. Já fui lá umas três vezes e telefonei várias outras vezes. Só têm desculpas, mas a foto não aparece’’, afirma Silva.
‘‘Estou muito chateado. Aquela foto tem um valor enorme para mim e minha família. É a única que temos da época em que eu e outros sete primos éramos crianças. Não vamos aceitar ficar sem ela por incompetência dos funcionários do Foto Célula’’, garante Henrique da Silva, que já procurou o Procon para reclamar e planeja entrar com ação na Justiça exigindo indenização por perdas e danos.
O problema é que ele e sua prima não têm comprovante de que entregaram a fotografia - que não possui negativo arquivado - ao motoqueiro que presta serviço de maneira terceirizada para o Foto Célula. De acordo com ele, os funcionários da loja Quintino não têm demonstrado interesse em encontrar a foto e em resolver o problema. ‘‘Estão fazendo corpo mole e não tomam as providências necessárias. Eles não compreendem a importância, o valor sentimental que aquela foto tem para nossa família’’, ressalta o mototaxista, lembrando que um dos primos que estavam na fotografia, inclusive, já faleceu.
O gerente da loja Quintino, Kardec Eurípedes da Silva, que estava de férias quando aconteceu o incidente, garantiu que está preocupado com o sumiço da foto e empenhado em encontrá-la. ‘‘É muito raro acontecer este problema em nossas 20 lojas, mas há infelizmente a possibilidade de ter havido um extravio. Estamos procurando a fotografia e talvez a encontremos nos próximos dias. Ela pode ter sido entregue a um outro cliente por engano.’’
Mesmo considerando anormal o fato de o cliente não ter recebido um comprovante de entrega da foto encaminhada para reprodução, Kardec da Silva avalia que ela pode vir a ser localizada em uma das outras lojas da rede. ‘‘Reconhecemos que, como todos, podemos também falhar. Temos o maior interesse em negociar com o cliente a melhor solução possível para o caso. Infelizmente, nossos esforços para encontrar a foto foram inúteis até o momento, mas vamos continuar procurando.’’
A então diretora do Procon em Londrina, Sheila Maria Mendes de Ângelo, explicou que não pôde registrar a queixa do mototaxista Henrique da Silva porque ele não tem o comprovante de que solicitou o serviço à loja do Foto Célula. ‘‘O consumidor deve ter a nota fiscal, um recibo ou comprovante da compra ou serviço que está gerando a reclamação. Sem isto, não podemos fazer nada.’’
Sheila de Ângelo orientou os consumidores, portanto, que sempre exijam um destes documentos ao comprar um produto ou combinar a prestação de algum serviço. ‘‘Temos que comprovar o vínculo entre consumidor e o vendedor ou prestador de serviços. Apenas com a denúncia oral, corremos o risco de iniciar procedimentos que podem colocar em suspeição a idoneidade do nosso órgão’’, enfatizou.
Segundo ela, neste caso cabe ao mototaxista recorrer ao Juizado de Pequenas Causas. ‘‘Lá, o juiz tem autoridade para substituir o documento - nota fiscal, recibo ou comprovante - por depoimentos de testemunhas. São as chamadas provas orais, sob juramento. Daí, o juiz convoca uma audiência de conciliação e coloca as partes para negociar um acordo. É mais demorado, mas para o caso é o único caminho.’’

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