Classificação de medicamentos
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 21 de maio de 2012
Vítor Ogawa <br> <br> Reportagem Local 
O Brasil possui indústrias renomadas no mercado de medicamentos e, segundo o Ministério da Saúde, esse setor movimenta anualmente R$ 28 bilhões. O País conta hoje com cerca de 540 indústrias farmacêuticas cadastradas no Brasil, sendo 90 produtoras do medicamento similar. No entanto, a classificação dos produtos ainda confunde os usuários. Muitas pessoas acreditam que a diferença entre os de referência, genéricos e similares está apenas no preço, quando na realidade a relação está mais ligada à questão das patentes e dos testes realizados nesses produtos.
Jackson Rapkiewicz, do Centro de Informação sobre Medicamentos do Conselho Regional de Farmácia do Paraná, explica que o medicamento de referência é aquele produto inovador registrado no órgão federal responsável pela Vigilância Sanitária, cuja eficácia, segurança e qualidade foram comprovadas cientificamente. ''Para lançar um novo medicamento no mercado o laboratório realiza uma série de investimentos em pesquisas, testes com animais e depois com testes em humanos'', destaca.
Rapkiewicz explica que esses investimentos são altos e para compensar é feito o registro da patente para a comercialização durante um certo período de tempo. ''Os medicamentos de referência são comercializados com o nome da marca estamapado na embalagem, diferentemente dos genéricos, que são vendidos com o nome da substância utilizada na embalagem'', relata.
O farmacêutico explica que o medicamento genérico necessita de menos investimentos. ''A pesquisa que foi realizada no medicamento de referência não precisa ser repetida, mas o Ministério da Saúde exige que o laboratório apresente testes como exames de sangue que comprovem que a absorção é igual ao do produto de referência'', explica. Ele afirma que se um médico receitar um medicamento de referência o farmacêutico pode prescrever um genérico em seu lugar. ''O genérico está na categoria que denominamos como intercambiável, ou seja, ele pode substituir o medicamento de referência sem problemas'', explica.
Segundo Rapkiewicz, o genérico é identificável pela grande letra G em uma tarja amarela impressa na embalagem. Geralmente esse medicamento é produzido após a expiraçao ou renúncia da proteção da patente ou de direitos de exclusividade.
Já o medicamento similar, descreve o farmacêutico, não precisa realizar os testes de qualidade na coleta de sangue para comprovar os mesmos níveis de absorção que os medicamentos de referência. ''Isto está mudando e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já iniciou um processo em que esses medicamentos também precisarão realizar testes de absorção no sangue como são feitos nos medicamentos genéricos.''
Ele alerta que os de referência não podem ser substituídos pelos similares. ''Os similares não são medicamentos intercambiáveis e o farmacêutico não pode indicá-los em substituição aos de referência sob pena de ser responsabilizado pela legislação e pela comissão de ética do Conselho Regional de Farmácia'', alerta.
O farmacêutico explica que o medicamento similar, a exemplo do de referência, possui a marca estampada na embalagem. ''As pessoas podem confundi-lo com os medicamentos de referência, por este motivo as farmácias são obrigadas a manter uma lista com os nomes dos medicamentos de referência. Se ele não estiver nessa lista deve ser considerado similar'', afirma.


