O delegado-operacional de Homicídios de Londrina, Joaquim Melo, discordou ontem do levantamento da Polícia Militar sobre os assassinatos praticados no município no ano passado, que foi publicado na Folha de Londrina. Ao contrário do que apontou a pesquisa do 5º Batalhão da PM, que indicava a identificação de 57 pessoas envolvidas nos 125 crimes contra a vida cometidos em 2005, o delegado afirmou que o índice de esclarecimento chega a 90%, sendo que a maioria dos envolvidos é menor de idade (87 ao todo).
Segundo o delegado, dos 125 homicídios ocorridos (afora os 10 casos de latrocínio) 107 estão devidamente esclarecidos e outros 18 estão em fase de conclusão. Dentre os envolvidos nos crimes identificados pela Polícia Civil, 75 são adultos e a maioria - 87 - ainda nem havia completado 18 anos na data do crime. Assim como apontou a pesquisa da PM, a maioria das pessoas envolvidas já possuía antecedentes criminais. ''Tem adolescentes que praticaram até três homicídios em 2005'', revelou o delegado, completando que 80% dos homicídios estão relacionados ao uso e tráfico de drogas. ''Os traficantes mandam menores de idade, que são seus revendedores e também consumidores, matarem outros que estão em dívida ou que possuem alguma rixa'', destacou Melo.
Já segundo os dados divulgados pelo major Sérgio Dalben ontem, chefe da Diretoria de Pesquisa e Planejamento do 5º Batalhão, os autores identificados são 57, sendo que 52 deles seriam maiores e apenas cinco adolescentes. Ontem, o major explicou que recebeu os dados da própria Polícia Civil. ''Não há discordância. Simplemente usamos a parte até onde nos repassaram'', avaliou o major. Ele fez questão de desfazer o mal entendido com um elogio: ''A Polícia Civil (de Londrina) tem um dos maiores índices de resolução de casos de homicídio com prisão dos autores''.
O mesmo caso citado pelo major foi comentado também pelo delegado. Melo disse que os assassinos de Maicon Francisco Cosme da Silva, 16 anos, morto em 29 de dezembro, foram dois adolescentes, motivados por uma dívida de droga de R$ 10,00 que a vítima teria com um traficante. Vinte dias antes de ser morto, o adolescente havia sido preso pela PM portando uma arma. A PM divulgou a pesquisa justamente com o objetivo de mostrar que a maioria das vítimas de homicídio (57%) já possuía antecedentes criminais e, se melhor assistida depois de fichada, poderia ter tido outra sorte.

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