Outro exemplo é a família de Fernando Antônio Silva, 59. Da quarta geração de um clã circense, ele conheceu a mulher, Maria Amélia, durante uma parada do circo em que trabalhava em Carangola (MG). A mineirinha se apaixonou pelo palhaço e viaja junto dele até hoje. Eles são pais de Adriana, 35. Além de números cômicos, Fernando também encanta o público em uma esquete em que se apresenta com o cachorro Pink, um cocker bem serelepe.
Completa a esquete a neta de Fernando, Kaylane, 6. Adriana, mãe da menina, é trapezista. No circo conheceu e se casou com Robson Wallys, 22, um gaúcho de Santa Maria que pegou carona com um circo que passou pela sua cidade há 10 anos. ''Entrei para vender churros e fiquei para sempre'', ele conta.
Robson deixou os churros de lado e virou artista. Integra o time do globo da morte e também é palhaço. Juntos, os dois também fabricam, entre os ensaios, peças de figurinos para trapezistas, mágicos, contorcionistas e afins. Fazem sucesso com os produtos, vendendo, por meio da internet, para circos do Brasil todo. As entregas são feitas pelos Correios.
Além do serviço e do dinheiro, eles também administram o ciúme - não faltam assobios da plateia para os dois durante as apresentações - e a tensão. ''Fico com o coração na mão quando o vejo no globo da morte'', confessa Adriana. ''Duas vezes já aconteceu de a marcha da moto escapar e entrar em ponto morto comigo de ponta cabeça, no alto do globo, mas tive sangue frio para conseguir engatar outra marcha rapidamente. Passou perto'', conta Robson. (W.S.)

mockup