Mais um crime chocou a Cidade na tarde de ontem: Maria Sueli Costa Moura, 39 anos, atirou contra a secretária Jacqueline Carneiro Lobo, 21 anos, no segundo andar do Edifício Mônaco. O tiro atingiu a cabeça da vítima. Até às 22 horas de ontem, Jacqueline permanecia internada em estado grave na Santa Casa.
Segundo o advogado Moisés Godoy, dono do escritório onde Jacqueline Lobo trabalha, há vários dias ela vinha recebendo ameaças por telefone de Maria Sueli. O motivo seria o namoro entre o médico ginecologista João Bento Moura Neto - ex-marido de Maria Sueli - e Jacqueline. O médico teria rompido judicialmente o casamento com Maria Sueli há aproximadamente um mês para assumir o romance com a secretária, fato que Maria Sueli não aceitava.
Segundo testemunhas, Maria Sueli entrou na ante-sala do escritório de Godoy já com a arma do crime na mão, uma pistola Taurus 635, semi-automática. Ela passou a ofender Jacqueline e deu-lhe uma coronhada na cabeça. Foi quando o advogado Godoy abriu a porta do escritório onde Jacqueline, acompanhada da advogada Elaine Cristina Gomes, se refugiou. Elas trancaram a porta, impedindo a entrada de Maria Sueli - e chamaram a polícia.
Fora de controle, Maria Sueli deu um tiro para o alto. Quando os policiais chegaram, ela correu para uma outra sala do escritório e, quando os PMs tentavam se aproximar, ameaçava se matar.
Alguns minutos depois, Jacqueline e a advogada saíram da sala em que estavam e tentaram alcançar o corredor daquele andar, passando em frente à porta do local onde se encontrava Maria Sueli. Neste momento, Maria Sueli repentinamente avançou sobre os policiais e atirou por sobre os ombros deles, atingindo a cabeça de Jacqueline. Assim que atirou, segundo depoimento dos policiais, ela tentou se matar, mas foi contida.
Jacqueline Lobo foi imediatamente encaminhada para a Santa Casa e Maria Sueli para a 10ª Subdivisão Policial, onde foi lavrado o flagrante. Ainda muito nervosa, Maria Sueli chegou a declarar que seu casamento havia terminado por causa de Jacqueline e que o marido, inclusive, tinha tentado se afastar dela, sem êxito.
O delegado Antônio do Carmo ouviu o sargento Isacar Floriano de Freitas, que comandou a operação, e as testemunhas Silvana Silva Chagas e Élcio da Silva, ambos da Polícia Militar, para lavrar o flagrante. Segundo o advogado Antônio Amaral, que ao lado de Antônio Carlos Vianna defende Maria Sueli, a cliente estava muito abalada com o crime e não iria prestar depoimento ontem. ‘‘É um direito constitucional.’’
Da 10ª SDP, Maria Sueli foi encaminhada para o 2º Distrito Policial, onde permaneceria detida. Os advogados ainda tentaram levá-la para uma cela especial - já que ela tem curso superior em Enfermagem na Universidade Estadual de Londrina - no 5º Batalhão da PM ou no Corpo de Bombeiros, mas os locais não tinham capacidade para receber mais detentos.
Uma equipe do Instituto de Criminalística esteve no escritório procurando vestígios do crime. Segundo o perito Luciano Bucharles, havia uma poça de sangue no carpete, uma perfuração de bala na porta e desalinho dos móveis. A equipe notou também que houve violação de uma das portas do escritório.
Bucharles observa que não foi colhido nenhum material porque, quando eles chegaram, receberam a informação de que a Polícia Militar já havia levado as cápsulas dos projéteis do revólver. Ele acredita que até o começo da semana que vem o laudo estará pronto e entregue ao delegado que preside o inquérito.

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