Ciudad del Este reestrutura trânsito
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quarta-feira, 09 de julho de 1997
Antônio França Foz do Iguaçu 
Ney de SouzaCaos urbanoRuas centrais se transformam em uma bagunça institucionalizada nos dias de maior movimento de compristas; são 7 mil lojas espremidas em 15 quarteirões Começa a funcionar em dez dias as mudanças no trânsito de Ciudad del Este, cidade paraguaia fronteiriça com Foz do Iguaçu que recebe cerca de 3 milhões de sacoleiros brasileiros por ano. As medidas foram anunciadas ontem em Foz do Iguaçu por um grupo de empresários e técnicos contratados pela Municipalid de Ciudad del Este (prefeitura).
O plano de reestruturação de Ciudad del Este demorou oito meses para ficar pronto e foi elaborado por técnicos da Metro Parking, empresa contratada pela prefeitura para resolver o trânsito caótico do microcentro. Segundo os engenheiros, as medidas vão reduzir em até 30% o fluxo de veículos na região da Ponte da Amizade, que liga o Brasil ao Paraguai.
Segundo Victor Paez, diretor do Centro de Importadores e Comerciantes de Alto Paraná, Ciudad del Este está perdendo dinheiro por causa da bagunça institucionalizada. Para elaborar as mudanças, os técnicos fizeram uma pesquisa entre motoristas de ônibus de turismo, que chegam a cruzar a fronteira até três vezes por semana. A região comercial de Ciudad del Este está restrita a 15 quarteirões, onde estão instaladas 7 mil lojas.
Segundo o levantamento, 33% dos entrevistados apontaram o trânsito caótico como o principal problema. A falta de estacionamento ficou em segundo lugar, com 28%. O que nos surpreendeu é que 27% querem um estacionamento pago, desde que o local ofereça conforto, diz o secretário de Turismo de Ciudad del Este, Mauro Céspedez.
A principal mudança é o estacionamento exclusivo para ônibus de turismo, que ficará a dois quilômetros do centro da cidade, próximo à rodoviária. O local terá 42 mil metros quadrados e capacidade para 400 ônibus. O estacionamento ainda terá oficinas com mecânicos e eletricistas, banheiros, iluminação, seguranças, sala com TV e salão para jogos.
Ficará proibido o comércio dentro do estacionamento. Nenhum vendedor ambulante poderá entrar, adianta o secretário de Turismo. Os motoristas serão proibidos de embarcar ou desembarcar turistas fora do estacionamento.
O trajeto entre o centro comercial e o estacionamento será feito por kombis e taxis, que cobrarão tarifas fixas entre R$ 1,50 e R$ 5,00, dependendo do tipo de veículo utilizado. A viagem de volta ao Brasil será controlada e os ônibus serão liberados em etapas para evitar que a Ponte da Amizade se torne um funil.
A maior dificuldade, porém, serão as mudanças no trânsito, que deverão ser concluídas até dezembro. O trânsito é complicado. De um lado encontramos o Rio Paraná, do outro temos a Ponte da Amizade e a maioria das ruas não tem escoamento e nem permite retornos. Isso emperra tudo, contata o engenheiro Jack Fleischman, da Metro Parking.
Um dos exemplos de mudança é a Ruta Internacional, avenida principal, com quatro pistas, que corta toda a cidade e funciona com duas mãos de direção. Essa via terá suas quatro pistas usadas somente para quem entra na cidade. O sentido inverso, entre Ciudad Del Este-Foz do Iguaçu, será feito pelas ruas laterias que circulam o centro, em uma espécie de anel viário que desembocará na Ponte da Amizade.
Ciudad del Este cresceu e se tornou um caos. O trânsito não foi organizado e falta segurança. O resultado é o veto internacional ao turismo, diz Fleischman.


