Cismepar fecha acordo com governo
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terça-feira, 13 de abril de 1999
Silvana Leão e Áureo Nogueira 
O presidente do Consórcio Intermunicipal de Saúde do Médio Paranapanema (Cismepar) e prefeito de Primeiro de Maio, Paulo Todero, informou no início da noite que os problemas enfrentados pelos hospitais da Zona Norte (HZN) e da Zona Sul (HZS) de Londrina estão praticamente resolvidos. A direção do Cismepar ameaçava romper convênio com a Secretaria de Saúde do Estado.
De acordo com Todero, que manteve negociação com o secretário Armando Raggio, por telefone, a diferença entre a reivindicação do Cismepar - acréscimo de R$ 120 mil por mês no repasse feito pelo Estado - e a contraproposta da Secretaria de Saúde é insignificante e não vai inviabilizar o acordo. A diferença é tão pequena que bastará uma adequação administrativa para que o consórcio tenha as condições adequadas para administrar os hospitais e o pronto-socorro de especialidades da 17ª Regional de Saúde, destacou Todero.
O Cismepar, que gerencia o HZN e o HZS em convênio com o governo do Estado, alegava que não estava sendo possível administrar os dois hospitais com os recursos repassados pelo SUS e chegou a ameaçar com a rescisão do contrato.
A diretora-executiva do Cismepar, Vânia Brum, afirmou que este mês os salários dos 112 funcionários contratados pelo consórcio através do convênio já tiveram que ser atrasados.
Depois que o Cismepar passou a administrar os hospitais, há pouco menos de dois anos, eles passaram a fazer aproximadamente 600 cirurgias por mês, contra as cerca de 40 realizadas antes do convênio. Atualmente, uma média de 12 mil pessoas são atendidas mensalmente no pronto-socorro que, por enquanto, oferecem plantão 24 horas por dia, clínica médica, pediatria e cirurgias.
Diretores dos grandes hospitais de Londrina demontraram preocupação com a crise enfrentada pelos hospitais da Zona Norte (HZN) e Zona Sul (HZS). A diminuição dos serviços prestados, como redução no número de leitos e procedimentos cirúrgicos, acarretaria um grande aumento na procura pelos serviços dos hospitais da área central, que já encontram-se superlotados.
Para o superintendente da Santa Casa e presidente do Sindicato dos Hospitais de Londrina e região, Fahd Haddad, o maior problema vivido atualmente pelo sistema de saúde em Londrina não está ligado à realização das cirurgias eletivas (programadas), mas sim com os atendimentos de urgência/emergência. Por isso, segundo ele, se estes hospitais chegarem a paralisar suas atividades, grande parte da população vai sofrer as consequências.
Ontem, a Santa Casa enviou comunicado à imprensa sobre a superlotação do pronto-socorro (PS), admitindo que encontrava-se com 42 pacientes internados no setor, que conta com apenas 18 leitos. O excedente (133% acima da capacidade de internação) encontrava-se em macas e cadeiras pelos corredores e consultórios médicos. Segundo o informativo, além do PS, toda a capacidade de internação da Santa Casa para o SUS (70% dos leitos) está esgotada.
O diretor-geral do Hospital Evangélico, Antonio Carlos Ribeiro, admite que o hospital não teria como arcar com a sobrecarga que certamente resultaria da limitação ou até paralisação no atendimento dos dois hospitais secundários. Não é má vontade, mas a nossa capacidade de carga já foi ultrapassada, e nós não estamos tendo a contrapartida, que seria a injeção de mais recursos, por parte do governo.


