A reorganização interna do Consórcio Intermunicipal de Saúde do Médio Paranapanema (Cismepar), que aumentou em 18% a oferta de consultas médicas, não foi suficiente para resolver o problema de falta de vagas. Em algumas especialidades, a fila de espera continua longa.
Vítima de faringite crônica, a trabalhadora autônoma Cleuza Macedo, 43 anos, esperou oito meses por uma consulta com um otorrinolaringologista. A tosse excessiva interfere em sua qualidade de vida e atrapalha atividades cotidianas. ''Não consigo dormir, preciso começar o tratamento urgente'', reclamou ela, que consultaria HOJE (DIA 3) o especialista.
A dificuldade não é a única. Em março deste ano, Cleuza se consultou com um cardiologista e realizou exames para diagnosticar colesterol e uma possível diabetes. Com os resultados em mãos, aguarda a chegada da guia para retorno. Diante da espera de oito meses, suspeita que os exames tenham perdido a validade. ''Não tomo remédios nem faço dieta por falta de orientação''.
De acordo com diretora executiva do Cismepar, Marlene Zucoli, a dificuldade decorre da falta de profissionais interessados em prestar serviços para o Sistema Único de Saúde (SUS) em algumas especialidades. Otorrinolaringologia, cardiologia para adultos e endocrinologia são as clínicas mais complicadas para conseguir atendimento. ''Há vagas para novos médicos, mas eles não se inscrevem'', disse.
Uma possível causa para o desinteresse é a remuneração. Enquanto os planos de saúde pagam R$ 33,00, no mínimo, pelo serviço, o SUS desembolsa R$ 7,55 por cada paciente atendido no consultório do profissional. Se a estrutura do Cismepar for utilizada, o valor cai 20%.
A falta de motivação se estende à realização de exames como o doppler de varizes (ultrassom vascular). O Cismepar licitou o serviço duas vezes, mas não houve inscritos. Nova carta convite será aberta este mês. Graças a uma negociação com o Estado, a proposta de pagamento será diferenciada. ''Dessa vez acho que resolveremos o problema'', espera.
Enquanto a solução não chega, a auxiliar de serviços gerais Maria de Lourdes da Silva, 53, buscou outro caminho para amenizar os sintomas da doença. Ela não conseguiu iniciar o tratamento com o médico do SUS por falta de condições de realizar o doppler em clínica particular. Um colega de trabalho observou sua dificuldade em fazer a limpeza da firma, realizou uma ''vaquinha'' e arrecadou, entre os funcionários, o dinheiro necessário para a consulta particular e o exame.
''Espero que o médico receite algum remédio para eu melhorar'', disse ela, que ganha um salário mínimo por mês. ''Achei um lugar que faz o exame pro R$ 50,00. É caro para mim'', comentou. A auxiliar enfrenta as varizes há cinco anos e, por causa da dor, tem dificuldade para trabalhar. Sua peregrinação entre os prestadores públicos de serviço começou há três anos. No período, passou pelo Hospital Universitário (HU), pelo Hospital das Clínicas (HC) e pelo Cismepar.

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