Londrina

Josoé de CarvalhoConvênioRaggio: ‘Solução para os problemas da saúde passa, também, pela busca de novos parceiros’O secretário estadual de Saúde, Armando Raggio, esteve ontem em Londrina para assinar um convênio repassando a gerência administrativa dos hospitais da Zona Sul e da Zona Norte - ambos do Governo do Paraná - ao Consórcio Intermunicipal de Saúde do Médio-Paranapanema (Cismepar), entidade que congrega as Secretarias de Saúde de 19 municípios da região.
De acordo com o convênio, a partir de hoje toda a arrecadação dos dois hospitais - cerca de R$ 70 mil mensais repassados pelo Estado e pelo Sistema Único de Saúde (SUS), do Governo Federal - irá para os cofres do Cismepar, que se responsabilizará pela contratação de novos funcionários e pela melhoria na qualidade dos serviços prestados à população.
No mês passado, usuários denunciaram que o atendimento no Hospital da Zona Norte (HZN) estava muito demorado e ruim por falta de médicos, enfermeiros e outros funcionários. A espera nas filas demorava horas, colocando em risco a vida de doentes que necessitavam de atendimento de urgência. A crise iniciada com a comprovação de que muitos leitos do HZN eram subutilizados enquanto outros hospitais estavam superlotados levou à exoneração do diretor da 17ª Regional de Saúde, Luiz José Neto, há duas semanas.
‘‘Esta co-gestão dos hospitais, possível a partir deste convênio, permitirá uma maior agilidade na parte administrativa deles, o que estava muito difícil para se fazer de Curitiba’’, justificou o secretário Armando Raggio. ‘‘Desta forma, vamos repassar mais recursos e mais responsabilidades aos municípios da região, através do Cismepar, sem onerá-los do ponto de vista financeiro. É uma parceria, que temos o maior prazer em iniciar hoje, entre o Estado, Londrina e o Conselho Intermunicipal.’’
O secretário garantiu que, com o repasse da arrecadação ao Cismepar, este terá autonomia para a contratação de tantos funcionários quantos se fizerem necessários para a otimização do atendimento nestes dois hospitais estaduais de Londrina. O outro, o Hospital Universitário (HU), prossegue sendo administrado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) e não está incluído no convênio.
‘‘Este convênio é, na verdade, uma maneira integrada de enfretarmos o problema, a crise pela qual passa o sistema de saúde pública não só em Londrina e no Paraná, mas em todo o País. A partir de agora, estamos harmonicamente unidos, Prefeitura de Londrina, Governo do Estado e o Cismepar’’, avaliou Armando Raggio.
Segundo ele, isto permitirá ao Cismepar dar um apoio às gerências dos hospitais, para que em breve deixem de faltar remédios e pessoal no atendimento aos usuários. ‘‘A solução para os problemas do setor de saúde passa, também, pela busca de novos parceiros para a co-gestão’’, disse Raggio. ‘‘O caminho é repartir os problemas para encontrar as soluções. Uma mão tem, mesmo, que ajudar a lavar a outra. As dificuldades do sistema público de saúde são muito grandes, a começar pela histórica falta de recursos. Mas com a união dos vários setores responsáveis, vamos superar estas dificuldades. E vamos vencer este desafio de responder mais adequadamente às necessidades de nossa população.’’
Estiveram presentes à assinatura do convênio - na sede da 17ª Regional de Saúde - a diretora executiva do Cismepar, Vânia Maria Moraes, o secretário de Saúde de Londrina, Agajan Der Bedrossian, o prefeito de Tamarana, Edson Siena (PDT), e vários secretários municipais de Saúde da região. Rággio aproveitou a solenidade para afirmar que a saúde pública passa, sim, por uma crise, ‘‘mas no Paraná, ao contrário do que ocorre em outros estados mais ricos e poderosos, a situação está sob controle e longe do caos que a imprensa insiste em fazer parecer que existe’’.

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