Cisão marca 1º dia de greve na UEL
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segunda-feira, 05 de junho de 2000
Telma Elorza De Londrina 
O primeiro dia de paralisação dos professores da Universidade Estadual de Londrina (UEL), por tempo indeterminado, foi marcada por uma cisão no comando geral de greve. Organizada em conjunto pelos Sindicatos dos Professores, Sindicato dos Trabalhadores da Saúde de Londrina (Sinsaúde) e Sindicato do Servidor Público Técnico Administrativo da UEL (Assuel), ontem o movimento atingiu 90% dos professores e apenas parcialmente os funcionários.
Segundo o presidente do Sindiprol César Cagiano Santos, a maioria dos servidores decidiu em assembléia, na última sexta-feira, manter o movimento unificada com a paralisação a partir de ontem. Mas os diregentes da Assuel foram contra a vontade da categoria, não acatando a paralisação. De acordo com Santos, a posição do sindicato dos servidores ficou dissonante do restante do movimento. Enquanto a gente pede para que todos parem, com objetivo de mostrar nossa força e a situação insustentável que estamos vivendo, a Assuel diz para os funcionários trabalhar. Isso complica o movimento dos professores e pode até ser proposital, adiantou.
Mesmo assim, César Santos avialiou como positivo o primeiro dia da greve. Não houve aulas hoje (ontem) na UEL. Só não conseguimos 100% de adesão por causa do CCS (Centro de Ciências da Saúde), que engloba Hospital Universitário, das Clínicas e Clínica Odontológica, explicou. Segundo ele, por causa do atendimento à população, principalmente hospitalar, os professores não puderam aderir totalmente. O caso do CCS é mais complexo, já que não dá para parar o atendimento de uma hora para outra. Por isso o Sinsaúde tirou a greve para o dia 12, para que se tenha tempo de organizar as coisas, informou.
A greve começou ontem com um pedágio montado por volta das 7 horas nas duas entradas do câmpus, onde o comando do movimento recomendava a adesão à paralisação. O pedágio foi seguido por arrastões nos vários centros, convocando os professores a não dar aulas, e concentração dos grevistas no anfiteatro do Centro de Ciências Biológicas (CCB). As atividades foram repetidas nos três períodos de aula.
Mesmo anunciada na sexta-feira, a greve pegou vários alunos de surpresa. Foi o caso de um grupo de calouros do curso de medicina veterinária, que aproveitou a paralisação de dois dias na semana passada para visitar a família em outras cidades. O que a gente sabia é o que tinha sido divulgado antes, que a greve só seria a partir do dia 8. Fui para a casa dos meus pais e não fiquei sabendo que tinha sido antecipada, explicou Julian Boroski, 19 anos. Ela e os colegas ainda tinham dúvidas sobre o movimento. Estão falando que não é todos os professores que pararam. No nosso curso, tem uma professora que diz que vai dar aula e até prova. E a gente, como fica? Vem aqui todo dia ou vai embora?, questionou Emanuel Vaccaleri, 20 anos.
Na Biblioteca Central do câmpus, vários alunos aproveitaram a greve para por em dia os estudos. A fila no setor de empréstimos era grande ontem pela manhã. A estudante do terceiro ano de arquitetura e urbanismo, Camila Picolo, 20 anos, achou que, por causa da greve, ia ser mais fácil emprestar livros. Mas está até pior, com muita gente que quis se garantir. A mesma idéia teve o aluno do segundo ano do curso de ciências do esporte, Pedro Braz, 20, que não deixou os estudos para as provas para depois do retorno às aulas.


