Cirurgias do HC podem ser remarcadas
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segunda-feira, 16 de março de 2009
Thiago Alonso<br>Equipe da Folha 
Curitiba - As cirurgias marcadas para esta semana no Hospital de Clínicas (HC) da Universidade Federal do Paraná (UFPR) podem ser adiadas. Funcionários do setor de esterilização cirúrgica estão trabalhando, desde a meia-noite de ontem, com metade da capacidade. O motivo é o calor gerado pelas máquinas de autoclave, que realizam o processo de esterilização, combinado com as altas temperaturas externas. A intenção da classe é pressionar a direção do HC para que um sistema de ventilação seja instalado.
Na sala, a temperatura na manhã de ontem era de quase 39 graus. Funcionários ameaçam parar caso o sistema de climatização do ambiente não seja instalado até sexta-feira, prazo pedido pela direção do HC para providenciar os equipamentos necessários. De acordo com Heda Maria Barska dos Santos Amarante, diretora-geral do hospital, os laudos técnicos do setor de segurança do trabalho e da empresa de engenharia responsável pela instalação foram solicitados na semana passada. Segundo ela, as obras de adaptação do sistema já começaram e vão custar cerca de R$ 12 mil. O dinheiro virá de fundos de doação.
A diretora diz que, até que o problema seja resolvido, as cirurgias já marcadas serão adiadas caso falte material esterilizado. Já os procedimentos de emergência não terão interrupção. ''Eventualmente haverá atrasos. Antes de cumprir a agenda, temos que ter o material. Nenhuma cirurgia será realizada sem o material devidamente esterilizado'', afirma Heda. Ontem pela manhã, funcionários do setor mostraram a falta de alguns materiais esterilizados no estoque. Nenhum procedimento cirúrgico, no entanto, havia sido desmarcado.
Para que o adiamento não se torne realidade, o HC tem uma série de saídas para realizar o procedimento. Uma delas é o uso de autoclaves menores, espalhadas pelo hospital. Outra é esterilizar o material externamente.
Hoje, o HC tem três autoclaves - uma delas quebrada, de acordo com funcionários do setor. Ontem - e durante toda esta semana - apenas uma das máquinas vai funcionar. Além disso, os funcionários criaram turnos para evitar o calor: trabalham 45 minutos, param 15, depois retornam ao trabalho. De acordo com Carla Cobalchini, diretora de imprensa do Sinditest, sindicato que representa os trabalhadores, as reclamações sobre o problema se arrastam desde 2002. A diretora do HC nega. ''Obviamente que não iriam se passar sete anos sem que fossem tomadas providências'', diz Heda.
De acordo com os funcionários do setor de esterilização do HC, o calor ainda causa outros problemas. Como é muito quente na sala, os trabalhadores acabam não usando corretamente os materiais de proteção e ficam expostos a objetos cortantes e contaminados. ''Tem que usar o avental, mas o calor não permite'', diz uma funcionária.
''Esse é um problema antigo, que não dá para omitir'', afirma Irineu Novak, engenheiro de segurança e medicina do trabalho da Fundação da UFPR. Ele conta que, em 2004, já havia citado a necessidade de um sistema de climatização para controle da temperatura e umidade do centro cirúrgico. Segundo Novak, o trabalho nas temperaturas atuais pode causar desidratação grave, influindo nos reflexos e na concentração dos trabalhadores. ''Possíveis descuidos podem causar acidentes de trabalho'', alerta o engenheiro.


