Maigue Gueths
No primeiro mês de mutirão dos oftalmologistas brasileiros para operar gratuitamente pacientes idosos com catarata, que iniciou em maio, cerca de 500 pessoas foram operadas no Paraná, um número cinco vezes maior do que a média de 100 cirurgias efetuadas mensalmente no Estado. A expectativa é aumentar ainda mais este índice e chegar a pelo menos 3.500 operações até julho, quando termina a Campanha Nacional de Prevenção à Cegueira - Programa Cataratas, que está sendo feita em conjunto pelo Ministério da Saúde e Conselho Brasileiro de Oftalmologia.
‘‘O objetivo é diminuir a prevalência de cegueira por catarata, que hoje é a maior causa de cegueira tratável no mundo’’, diz o oftalmologista Hamilton Moreira, coordenador estadual da campanha. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), existem 4 milhões de pessoas cegas por catarata no mundo. Destas, 200 mil estão no Brasil. ‘‘É triste porque é uma cegueira reversível com a cirurgia e muita gente não tem acesso aos serviços e não pode fazê-la. Por isso, queremos operar o maior número possível de pessoas. Todos que tiverem catarata e quiserem operar, serão submetidos à cirurgia’’, diz o médico.
Segundo Moreira, a catarata faz parte do proceso de envelhecimento do organismo. Acima dos 55 anos, a maioria das pessoas que tem embassamento da visão, é portador da doença. A catarata não significa a cegueira com escuridão completa, mas ela reduz a visão para menos de 10%, impossibilitando que a pessoa tenha uma vida útil normal. ‘‘Com o aumento da expectativa de vida e a deficiência dos serviços de saúde, ficou impossível atender todo este contingente de pessoas com catarata’’, informa Moreira.
A Secretaria de Estado da Saúde não sabe precisar o número de pessoas que aguarda a oportunidade de fazer a cirurgia através do Sistema Único de Saúde (SUS). ‘‘Mas o contingente certamente é grande, como acontece com praticamente todas as especialidades médicas’’, afirma o oftalmologista Carlos Renato D’Avila, da Secretaria. Só em Curitiba, segundo ele, foram cadastradas no primeiro mês, 1.100 pessoas para a cirurgia.
A campanha está sendo desenvolvida em 70 municípios do Paraná, envolvendo centenas de oftalmologistas, ‘‘que fazem um trabalho quase voluntário, pois recebem apenas para cobrir as despesas com os procedimentos, sem ter lucros’’, diz Moreira. Em Curitiba, cerca de 100 especialistas estão cadastrados. Um deles é o oftalmologista Décio Brik, que realiza as operações no Hospital Angelina Caron, em Campina Grande do Sul, Região Metropolitana. Todo sábado, em horário fora do esquema normal do hospital, a equipe tenta fazer o maior número de cirurgias possível. Até agora já realizadas 30 intervenções. ‘‘É um trabalho bonito, porque atendemos pessoas que dificilmente teriam acesso à cirurgia. E o resultado é uma mudança total na qualidade de vida, porque estas pessoas praticamente não estavam enxergando’’, diz Brik. Segundo Hamintol Moreira, coordenador da campanha, vários trabalhos mostram que o paciente idoso que opera a catarata melhora também outros aspectos de sua vida, reduzindo até mesmo a necessidade de utilizar medicamentos para hipertensão e depressão.

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