Marcos BorgesTecnologiaO médico Roberto Costa: ‘O aparelho é eficaz e confiável’O desfibrilador implantável como uma forma de prevenir a morte súbita foi o tema que o cirurgião cardiovascular do Instituto do Coração de São Paulo, Roberto Costa, expôs anteontem durante o 25º Congresso Paranaense de Cardiologia, que está sendo realizado no Centro Cultural e de Convenções Sumatra, área central. O aparelho, que é utilizado por mais de 50 mil pacientes em todo o mundo, ainda é considerado raro no Brasil - apenas 258 pacientes são tratados com o desfibrilador.
Roberto Costa explica que o desfibrilador, que pesa cerca de 90 gramas e possui um centímetro de altura, tem o objetivo de detectar um processo de morte súbita cardíaca e também de recuperar o paciente. A cirurgia para sua implantação é considerada de baixo risco e consiste, basicamente, em uma incisão na região do ombro para que o desfibrilador fique debaixo da pele.
O médico diz que o aparelho é recomendado para auxiliar pacientes que, através de exames médicos, constatam ter uma disfunção no coração e são predispostas à morte súbita; pacientes que sofrem de doença de Chagas; e pessoas que já tiveram uma parada cardíaca e foram recuperadas.
Além de aumentar muito a sobrevida do paciente, Roberto Costa acredita que o uso do desfibrilador supera outros tratamentos, como uso de medicamentos e cirurgia. ‘‘O aparelho é eficaz e confiável’’, afirma.
Apesar de a eficácia do aparelho já ter sido comprovada, o médico observa que o seu uso ainda é pouco difundido no Brasil. O uso do dispositivo teve início em 1987, no Instituto do Coração - local onde foram implantados cerca de 60% do total de 258 aparelhos. Do total de pacientes tratados com este recurso, menos de 10 são de Londrina. Roberto Costa participou, em 1994, da primeira cirurgia realizada em Londrina para a implantação do desfibrilador.
Roberto Costa explica que o principal empecilho para a difusão desse tratamento é o preço do equipamento: US$ 25 mil. ‘‘As pessoas pagam do próprio bolso ou possuem algum tipo de seguro de saúde que cobre o tratamento, o que é raro.’’ A grande luta dos profissionais que trabalham na área, segundo ele, é sensibilizar o Governo Federal para subsidiar o tratamento de pacientes com o aparelho.

mockup