Cirurgião criou técnica revolucionária
Randas Batista é um dos poucos médicos do mundo a ter nome inscrito ao lado do busto de Hipócrates, na Ilha de Kos, berço da medicina. A homenagem deve acontecer no dia 30 de abril. Entre os feitos de Batista está o desenvolvimento de seis técnicas cirúrgicas, algumas consideradas revolucionárias.
É dele a criação da Cirurgia do Naco, técnica na qual é retirado do coração um 'naco' do ventrículo para resolver casos nos quais o órgão está hiperatrofiado. A intervenção salvou a vida de centenas de pacientes que, de outra forma, poderiam ter morrido aguardando um transplante. A idéia surgiu na sala de cirurgia, no Hospital Angelina Caron, em Campina Grande do Sul, onde Randas atuava.
O médico também criou uma técnica que permite a substituição de uma válvula aórtica danificada por uma prótese criada durante a cirurgia, utilizando tecido bovino. As idéias do cirurgião ganharam o mundo. Virou até livro e programa televisivo no Japão. ''É uma história meio romanceada, mas tem uma boa audiência'', conta. São justamente os japoneses que irão patrocinar o novo empreendimento de Batista na área da cardiologia.
Batista é formado em medicina pela Universidade Federal do Paraná. Fez especialização em cirurgia cardiovascular nos Estados Unidos, onde morou por doze anos. As técnicas desenvolvidas por ele fizeram com que Randas fosse o único brasileiro escolhido pela revista Time, em 1998, como herói da medicina. Isso porque, enquanto as doenças cardíacas fazem mais e mais vítimas em todo o mundo, a realização de transplantes do coração continua uma tarefa demorada e difícil.
''O problema do transplante não é cirurgia, mas a demora na seleção de um órgão e no tratamento pós-cirúrgico, que afeta diretamente o sistema imunológico do paciente'', explica. Enquanto isso, a Cirurgia do Naco representa uma saída viável mesmo para pacientes que não podem ser submetidos ao transplante, como é o caso de pessoas idosas ou que possuem doenças crônicas, como AIDS ou câncer. (R.C.F.)





