Imagem ilustrativa da imagem Cirurgia robótica começa a ser realizada em Londrina
| Foto: Gina Mardones - Grupo Folha

Ricardo Brandina, médico: “Esse tipo de procedimento aumenta a precisão, a filtragem do tremor, a articulação das mãos e tem imagem amplificada em 3D"

Pacientes de Londrina e região terão acesso facilitado às cirurgias robóticas. A unidade do jardim Bela Suíça do Hospital do Coração acaba de adquirir o robô Da Vinci e o primeiro procedimento já está agendado para o final de junho. Além de todos os benefícios de uma cirurgia laparoscópica convencional, o equipamento traz vantagens adicionais, como a redução do período de internação, recuperação mais rápida e retorno às atividades normais em um tempo menor. Londrina é a primeira cidade do interior da Região Sul do País a ter o equipamento e está entre os quatro municípios do interior do Brasil a realizar cirurgias por meio desse sistema. Por enquanto, a tecnologia está disponível apenas aos pacientes particulares e a liberação dos procedimentos pelos planos de saúde deve ser negociada caso a caso. A técnica ainda não faz parte do rol da ANS (Agência Nacional de Saúde).

O médico Ricardo Brandina passou um ano na Universidade do Sul da Califórnia, na cidade de Los Angeles, nos Estados Unidos, buscando a especialização na técnica robótica para cirurgias na sua área, a urologia. Segundo ele, 98% dos pacientes norte-americanos diagnosticados com câncer de próstata são submetidos à cirurgia por robô. “Lá quase não se faz outro tipo de cirurgia na urologia a não ser cirurgia robótica. É a que traz as melhores vantagens”, disse.

Brandina explica que a técnica consiste em uma cirurgia laparoscópica auxiliada por uma plataforma robótica e associa todos os benefícios da videolaparoscopia, como menos sangramento, menos tempo de recuperação e um tempo mais curto de internação, a vantagens extras, especialmente para os pacientes com câncer de próstata. “Esse tipo de procedimento aumenta a precisão, a filtragem do tremor, a articulação das mãos e tem imagem amplificada em 3D. Isso faz com que você tenha uma precisão muito maior e a gente consegue preservar melhor os feixes vásculo-nervosos, responsáveis pela ereção. O paciente também fica menos tempo com sonda no pós-operatório porque a gente consegue fazer a reconstrução da bexiga de uma maneira mais precisa.”

Após a cirurgia robótica, no período de recuperação, o paciente fica internado, em média, dois dias e o tempo de permanência com a sonda cai de duas semanas para cinco a sete dias, na comparação com a cirurgia laparoscópica convencional. “Isso já traz um benefício grande e o paciente ganha continência urinária mais rápido”, destacou o urologista. “Todos os casos de câncer de próstata podem ser operados pela cirurgia robótica, especialmente os mais complexos. A cirurgia robótica é um caminho sem volta”, ressaltou Brandina.

O primeiro procedimento feito no Hospital do Coração com o auxílio do robô Da Vinci será de câncer de próstata, no final deste mês, mas já outros três casos de cirurgia da doença agendados. A técnica ainda não foi incluída na lista de procedimentos da ANS. “Caso a caso a gente negocia com os pacientes para ver o que o plano cobre. A gente tem contato com diversos planos e está ficando bem mais acessível do que era há dez anos”, afirmou o médico.

Para o diretor do Hospital do Coração, Arnaldo Okino, a aquisição do sistema Da Vinci pela instituição é a “realização de um sonho”. “Estamos muito felizes em realizar esse evento. Foi um investimento a médio e longo prazo”, disse ele, sem revelar o valor investido na tecnologia. “É um valor alto e com certeza vamos ter retorno em termos de satisfação do nosso cliente.”

Para ter acesso à tecnologia, o hospital fez algumas adequações na estrutura física e investiu em treinamento de pessoal. “Existe uma série de critérios que a empresa americana exige que se tenha para a segurança do sistema. O hospital preenche todos os critérios.” Além dos procedimentos urológicos, o robô Da Vinci é capacitado para realizar cirurgias ginecológicas, do aparelho digestivo, torácicas, de cabeça e pescoço e cardíacas.

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