Cirurgia previne doenças
Um assunto que ainda gera polêmica, a castração ainda é associada por muitos donos de animais de estimação a uma cirurgia cruel. O médico veterinário Heber Cândido da Silva, de Londrina, explica que além de evitar o abandono de filhotes indesejáveis e a superpopulação dos animais nas ruas, o método tem sido cada vez mais associado à prevenção de diversas doenças nas vias uterinas e, principalmente, do câncer de mama, útero, próstata e testículos, além da eliminação da gravidez psicológica nas fêmeas.
''Se você castra a fêmea, faz com que cesse a apresentação de cio e evita a proliferação de inúmeras doenças relacionadas ao período'', explica Silva. ''Além disso, a castração traz comodidade para o proprietário, porque ela não irá sangrar, nem atrair macho, a pele e o pelo se tornam mais saudáveis e resistentes a alguns tipos de sarnas.''
Segundo o veterinário, outro benefício proporcionado pela castração é a melhora da convivência com o proprietário, pois a fêmea fica mais tranquila. ''A castração nas fêmeas não promove alteração orgânica nenhuma, nada muda'', afirma. Já no animal macho, explica, a castração pode resultar em aumento excessivo de gordura, problemas articulares devido ao aumento de peso e problemas cardíacos.
Para o veterinário, a cirurgia é relativamente segura e uma das mais realizadas em clínicas veterinárias. ''Sempre existe um risco anestésico como em qualquer cirurgia, mas como é muito corriqueira, o índice de mortalidade é muito pequeno, de 1% a 2%'', avalia. A anestesia pode ser realizada por inalação ou injetável.
Ele recomenda que a cirurgia seja feita antes da fêmea entrar no primeiro cio, por volta dos três meses de idade, pois estudos apontam que se a castração é realizada antes de serem incapazes de produzir hormônio, a chance de reduzir o desenvolvimento de tumores de mama pode chegar a 100%.
''Se você deixar os hormônios entrarem em ação pelo menos uma vez, que seria o cio, você reduz o risco de câncer de mama também, porém isso gira em torno de 70%'', explica.
Além disso, o médico acrescenta que animais mais novos reagem melhor à cirurgia, pois eles não são obesos e, consequentemente, absorvem menos anestesia em suas células gordurosas. ''Assim, a anestesia é mais rapidamente excretada pelo organismo.'' Segundo ele, o animal já volta às atividades normais dentro de uma semana. (Fernanda Carreira/Reportagem Local)





