Cirurgia por laparoscopia é pouco difundida
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segunda-feira, 16 de agosto de 2004
Fábio Galão<br>Reportagem Local 
O ginecologista Harry Reich, da Universidade de Columbia, Estados Unidos, esteve ontem em Londrina, onde iria apresentar à noite no Hospital Universitário (HU) uma palestra sobre a técnica de cirurgia ginecológica por laparoscopia, desenvolvida e aplicada por ele pela primeira vez em 1988, num procedimento no estado da Pensilvânia. O método, considerado mais prático e seguro em comparação com o modelo tradicional que exige abertura do abdômen, por diminuir as chances de infecção hospitalar, ainda enfrenta dificuldades para ser propagado.
Em entrevista à Folha, Reich explicou que a técnica consiste de duas ou três incisões de cinco milímetros cada que são feitas na barriga. Através do laparoscópio, aparelho dotado de câmera, o médico pode realizar o procedimento cirúrgico visualizando a parte interna do corpo da paciente num monitor ao lado da mesa de operação.
Reich argumentou que o método é menos agressivo do que a técnica tradicional, pois deixa cicatriz menor e diminui o tempo de internação: após um ou dois dias, a paciente pode deixar o hospital, contra até uma semana exigida pela cirurgia com abertura. ''A pessoa pode retornar às suas atividades normais e ao trabalho dentro de menos de duas semanas'', explicou o médico.
O ginecologista Ricardo Alves Pereira, que trabalha em Londrina, comentou que a laparoscopia pode ser utilizada em praticamente todas as cirurgias ginecológicas: remoção do útero, tratamento de prolapsos genitais, de alguns tipos de câncer, de cistos nos ovários, de patologias das trompas, de problemas de infertilidade.
Entretanto, mesmo nos Estados Unidos, onde foi desenvolvida, a técnica é menos difundida do que o método tradicional. Reich explicou que os planos de saúde pagam menos aos médicos por procedimentos com laparoscopia do que por cirurgias com abertura do abdômen. ''O que acontece é que a classe médica nos Estados Unidos é dominada por médicos mais conservadores, que não aprenderam o método com laparoscopia. Isso faz com que os planos de saúde estabeleçam diferenças ao fixar preços de cirurgias'', afirmou o ginecologista.
Pereira comentou que no Brasil o entrave à proliferação da cirurgia laparoscópica é econômico: como a técnica requer equipamentos importados, planos de saúde e os governos preferem o método tradicional. Londrina é uma referência nacional no setor, já que no HU e no Hospital Evangélico são feitas cirurgias a partir da laparoscopia. ''Mas precisamos de mais profissionais que utilizem a técnica rotineiramente'', comentou Pereira.


