Um nariz mais arrebitado, mamas maiores, cintura mais fina, lábios mais carnudos, o fim daquela gordurinha localizada ou a correção de uma deformidade. Até onde vai a vaidade humana e a que riscos as pessoas se submetem para se sentirem mais bonitas? Outra pergunta que margeia este cenário é: qual a importância de procurar um profissional especializado?
De acordo com o cirurgião plástico Ricardo Strang, a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica é o órgão responsável por fiscalizar a atuação de médicos na área. Segundo ele, há muitos profissionais sem a especialidade que fazem este tipo de intervenção. Apesar de não ser obrigatória a titulação de especialista na área para fazer este tipo de cirurgia, ele recomendou que as pessoas verifiquem no site www.cirurgiaplastica.org.br e escolham um que tenha a habilitação.
Para o médico, a diferença do cirurgião plástico para outros médicos que fazem estes procedimentos está na solução de problemas. ''Na maioria das vezes o paciente até sai da cirurgia com um resultado adequado. Fazer lipoaspiração e colocar prótese de mama é muito fácil, mas na hora que acontecer um problema o paciente saberá identificar quem é cirurgião de verdade e quem aprendeu a fazer a técnica num final de semana'', criticou.
Para ser especialista em cirurgia plástica, Strang disse que depois de formado, o médico precisa fazer uma especialização em cirurgia geral e também em cirurgia plástica. ''Para ser reconhecido pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica o médico já tem que ter dois anos de cirurgia geral'', explicou.
Conforme Strang, muitas vezes a procura por um cirurgião plástico adequado não é levada a sério pelos pacientes. ''Quando vai comprar uma roupa a pessoa vê se é de boa procedência, se o tecido é bom, se vai durar. Quando vai comprar um carro a pessoa conversa com quem tem, pergunta se é seguro, lê artigos a respeito. Mas quando vai contratar um profissional que vai cortar, modificar as formas do corpo e que tem o poder de deformar ou de matar, algumas pessoas procuram o que é mais baratinho e faz em 36 vezes'', disse.
Risco
O médico lembrou que qualquer tipo de cirurgia tem risco. ''Tudo tem risco, até atravessar a rua, mas que cuidados você vai tomar? É fundamental ser cirurgião plástico até para ter bom senso de não fazer determinadas barbaridades, como a cirurgia em consultório em nome da praticidade'', destacou. Segundo ele, casos de deformidades e problemas pós-cirurgia são relativamente comuns. ''O que a gente vê quase todo dia são maus resultados de lipoaspiração. Talvez porque seja a cirurgia mais praticada''.
Segundo ele, o cirurgião plástico tem bagagem e conhecimento suficientes
para avaliar o paciente. ''É preciso analisar a origem do sofrimento e ver se podemos ajudar. Muitas vezes ajudamos não operando'', disse. ''Às vezes a pessoa traz para o cirurgião uma frustração, uma inadequação social, afetiva, sexual, que faz parte de um imaginário. Em alguns casos a pessoa precisa de auxílio psicológico'', completou.
O cirurgião plástico Walter Rossival disse que as divisões da Medicina em especialidades surgiram por conta da dificuldade dos profissionais de acompanharem todo o conhecimento da área. ''Hoje tem a figura do especialista que tem mais conhecimento em uma determinada área. Isso promove uma condição maior de resolver casos mais complexos'', justificou. Segundo ele, os anos a mais de estudo fazem supor que este médico tenha um pouco mais de preparo.

Serviço - No site da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica há uma relação dos médicos especialistas. www.cirurgiaplastica.org.br

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