Cirurgia para obesos desperta interesse
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quarta-feira, 19 de maio de 1999
Osmani Costa 
Trinta e três pessoas obesas procuraram a equipe médica do Hospital Universitário (HU) da Universidade Estadual de Londrina, nos últimos três, interessadas em se submeter à cirurgia que reduz o tamanho do estômago em 90%, chamada de gastroplastia. Esta procura deve-se à realização com sucesso, no último sábado, da primeira gastroplastia na cidade. A operação foi feita pelo médico paulista Arthur Garrido, na empresária Ana Cristina Piaie Palma, que já teve alta e passa bem (ler texto ao lado).
A partir de agora, as operações serão realizadas por uma equipe médica do Hospital Universitário, coordenada pelo cirurgião Antonio Carlos Valezi. Na tarde de ontem, o médico esteve reunido com um grupo de dez candidatos às próximas cirurgias, que são feitas gratuitamento no HU - através do Sistema Único de Saúde (SUS).
A equipe que realiza as cirurgias no HU também vai prestar atendimento a pacientes particulares, a partir de junho. As cirurgias serão feitas em hospital privado e custarão entre R$ 6 mil e R$ 8 mil.
Amanhã, a equipe terá nova reunião com outros 15 obesos interessados na gastroplastia, técnica criada em 1994 pelo médico colombiano Capella, radicado nos Estados Unidos. Aos candidatos, Antonio Carlos Valezi explica as características e condições necessárias para o paciente se submeter a este tipo de tratamento. Só são aceitos os que sofrem de obesidade mórbida (quando o excesso de peso se transforma em doença e coloca em risco a vida da pessoa).
O médico-cirurgião afirma que a doença é constatada através do Índice de Massa Corpórea (IMC), que é o resultado do peso da pessoas, em quilos, dividido pela altura, em metros, ao quadrado. Uma pessoa normal tem o IMC entre 20 e 25. O paciente tem obesidade mórbida quanto seu IMC é superior a 40.
Dos dez candidatos à cirurgia reunidos ontem - que não quiseram conceder entrevista à Folha - apenas uma mulher teve IMC abaixo de 40. Ela se mostrou frustrada com o resultado: Agora, vou ter que engordar ainda mais para poder fazer a operação. Já tentei muitos regimes, inclusive tomando remédios, mas não consigo emagrecer. E a obesidade impede a gravidez, que é um sonho meu.
No período pré-operatório, o paciente passa por uma bateria completa de exames laboratoriais, para checar as condições do coração, pulmão, pressão arterial etc. O doutor Garrido já fez cerca de 600 cirurgias, que objetivam melhorar as condições de saúde e de convívio social do obeso. A operação é grande, com anestesia geral e, portanto, traz em si alguns riscos. Infelizmente, nove pacientes morreram em consequência da cirurgia. Mas a obesidade mórbida tem mais riscos para a vida do paciente do que a gastroplastia, ressalta Antonio Carlos Valezi.


