Maigue Gueths
De Curitiba
No Paraná já foram feitas 44 cirurgias de redução de estômago para pacientes com a chamada obesidade mórbida, desde que o procedimento foi autorizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em março deste ano. A cirurgia reduz a capacidade do estômago, obrigando os pacientes a comer menos e garantindo a perda de até 50% do peso inicial em um ano. Quem já se submeteu à cirurgia garante que encontrou uma nova vida. A procura pela operação, tecnicamente chamada de gastroplastia restritiva com derivação intestinal, tem sido grande. Em três hospitais que fazem o procedimento, o Hospital de Clínicas (HC) e Hospital Cajuru, em Curitiba, e no Hospital da Universidade Estadual de Londrina (UEL) a fila de espera garante cirurgias durante um ano.
A autorização oficial para que o SUS proceda as cirurgias foi dada a partir de 30 de março deste ano, por uma portaria do Ministério da Saúde, que autorizou quatro hospitais do Brasil a fazer o procedimento: Hospital Universitário de Pernambuco (PE), Hospital da Universidade de São Paulo (SP), Hospital de Ipanema (RJ) e o Hospital de Clínicas (PR). O próprio HC admite, no entanto, que vem realizando a operação há uns quatro anos, e cobrando-a do SUS com o código correspondente à cirurgia de úlcera. O Cajuru, o Hospital da UEL e a Santa Casa de Londrina também estão fazendo a cirurgia apesar de não terem sido contemplados na Portaria do Ministério.
Ao todo, os quatro hospitais do Paraná já realizaram 44 cirurgias (20 no HC, 16 no Cajuru, cinco na UEL e três na Santa Casa de Londrina). Depois da portaria a procura aumentou. No HC e na UEL há filas de espera de 30 pessoas em cada uma. ‘‘Com a portaria, o ministério oficializou uma situação que já existia. O que se espera, agora, é que sejam liberados mais recursos para este procedimento’’, diz o gastroenterologista e responsável pela equipe que realiza a cirurgia no HC, João Baptista Marchesini. Ele lembra que o hospital faz uma cirurgia a cada 15 dias, mas se tivesse recursos poderia realizar pelo menos três por semana. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que há no Brasil 1,5 milhão de obesos mórbidos. O SUS repassa ao HC a quantia de R$ 2.357,51 por procedimento. Em uma clínica particular, uma cirurgia dessas custa aproximadamente R$ 12 mil, segundo os médicos.

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