Cirurgia de artrose permite retomar movimento
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segunda-feira, 18 de agosto de 2008
Chiara Papali<br>Reportagem Local 
Tirar a dor, sem tirar o movimento da articulação - este é o principal benefício de uma cirurgia para correção de artrose realizada ontem, pela primeira vez, em Londrina. Feita no Hospital do Coração pelos ortopedistas César Martins e Alexandre Queiróz, o objetivo neste caso era devolver os movimentos nos dedos do pé de uma paciente de 62 anos, que há quatro sofria de artrose.
Segundo os médicos, na cirurgia convencional o objetivo também é tirar a dor, mas o movimento fica comprometido, como se um osso ficasse grudado no outro. Isso limita o uso de alguns tipos de calçados e a prática de algumas atividades esportivas. ''Há a limitação de usar salto alto, no caso das mulheres, e de fazer alguns movimentos, como subir uma rampa ou uma escada ou fazer uma caminhada. Algumas mulheres, às vezes, preferem ficar com dor do que deixar de usar salto alto'', pondera Martins.
Com a colocação da chamada prótese metatarsofalângica no hálux há pouca retirada de osso, o que permite ''manter a qualidade da marcha'' e o movimento do dedo. A prótese, neste caso, cumpre o papel de uma articulação. O procedimento é rápido e o retorno às atividades também - enquanto na cirurgia tradicional o paciente pode levar de três a quatro meses para o retorno às atividades diárias, nesta a liberação é em torno de quatro semanas.
Apesar do custo mais elevado, outra vantagem desse tipo de cirurgia é a possibilidade de reverter o procedimento em caso de progressão da doença, o que não é possível com a tradicional. ''Além disso, o tipo de material utilizado tem baixo índice de reação local e permite que não seja retirada muita massa óssea, facilitando procedimentos futuros, se necessário'', acrescenta Martins.
Os ortopedistas lembram que em São Paulo e outras capitais essa técnica vem sendo realizada com excelente evolução dos pacientes. O procedimento de colocação da prótese pode ser usado também nos casos de artrite reumatóide, uma doença auto-imune, desde que bem tratada.
No pé, a artrose, segundo os médicos, é multifatorial, causada tanto pela configuração anatômica da região, do impacto de uso de alguns calçados (saltos altos e apertados) e do próprio joanete, que, sem tratamento, pode evoluir para a doença. A artrose se caracteriza pelo desgaste da cartilagem de qualquer articulação que atinge a superfície óssea, fazendo com que o contato articular aconteça osso contra osso, causando fortes dores.
As mulheres são as mais atingidas pela doença, até por conta do tipo de sapato que usam - saltos altos e bico fino. O ideal, segundo os médicos, já que é praticamente impossível dissociar mulheres e saltos altos, é alternar os tipos de sapatos usados, mudando o formato e o tamanho do salto.


